Retorno do Campeonato Alemão já serve como laboratório e preparação para as demais ligas do mundo

Com novos protocolos e cuidados antes, durante e após os jogos, Bundesliga torna-se referência a países como Espanha, Itália, Inglaterra, Portugal e até Brasil para reinício dos torneios

Jogadores do líder Bayern cumprimentam-se durante triunfo por 2 a 0 sobre o Union Berlin na volta da Bundesliga. Foto: FC Bayern

Belo Horizonte, 20/05/2020 – Portal Futebol Diário

Marco Túlio Souto

Há dois meses, o futebol, mais precisamente, estava inviável de ser praticado por causa da maior crise da história da humanidade que vitimou até então quase 324 mil pessoas em todo o mundo. Depois de contaminar a China, a Covid-19 invadiu e ainda fere Itália, Espanha, Rússia, Reino Unido, França, Turquia e grande parte da Europa, além da própria Ásia e África, nos Estados Unidos e no Brasil, e em seus respectivos continentes. No dia 16 de maio, entretanto, um dos poucos países no planeta que conseguiu controlar à pandemia do novo Coronavírus, a Alemanha saiu na frente tanto na contenção da doença e no tratamento, quanto em relação ao retorno do futebol. A Bundesliga, um dos principais campeonatos nacionais do mundo – voltou a ser disputada no país germânico seguindo todos os protocolos e cuidados médicos, e, neste momento, torna-se a principal referência para retorno em diante dos demais campeonatos do Velho Continente, além da América do Sul.

O primeiro jogo na Alemanha que marcou o retorno do futebol oficialmente para o mundo foi o clássico e uma das maiores rivalidades da Europa: Borussia Dortmund e Schalke 04. Duelo, o qual venceu a equipe que figura na vice-liderança do Campeonato Alemão, pelo placar de 4 a 0, no Signal Iduna Park. Com quatro tentos feitos na meta do Schalke, os jogadores do Borussia precisaram durante a partida adaptarem-se às novas medidas para evitar qualquer tipo de contaminação dentro de campo, sobretudo, durante as comemorações dos gols. Assim sendo, a distância de um jogador para o outro foi mantida; não houve em grande maioria abraços e toques no rosto; e os cumprimentos aconteceram como orienta as organizações de saúde, com os cotovelos. Mas antes de a bola rolar em Dortmund, as delegações dos dois clubes precisaram também, por exemplo, chegarem ao estádio em dois ônibus separados por cada time para diminuir a aglomeração dentro do veículos, e entraram no gramado fazendo o uso de máscaras sem a realização também do protocolo oficial que é feito normalmente antes dos jogos.

Para se ter ideia do cuidado na Bundesliga com todas as partidas de arquibancadas vazias, até a bola foi higienizada antes, durante e depois dos duelos que marcaram o regresso do Campeonato Alemão. Com isso, respeitando e colocando em prática os protocolos de saúde, o futebol na Alemanha já inspira e faz países como Espanha, Itália, Inglaterra, Portugal e até o Brasil sonharem e utilizarem a principal competição em solo germânico como laboratório para um eventual retorno em breve de seus campeonatos. Desses, contudo, o Brasil vem sendo o mais distante para uma volta oficial dos certames apesar de clubes como Internacional, Grêmio, Atlético-MG e Athletico-PR terem retornado gradativamente às atividades depois de testes realizados para Covid-19 em suas instalações. Neste instante, o Brasil contabiliza quase 18 mil óbitos pelo Coronavírus e, na última terça-feira, 1.179 mortes foram registradas nas últimas 24 horas – recorde histórico e negativo do país até o momento.

Mesmo diante desse caos, clubes também como Flamengo e Vasco buscam acelerar a volta do futebol, mais precisamente da Taça Rio, além de uma eventual volta aos treinamentos – algo que aconteceu no Fla, nesta quarta-feira, no Ninho do Urubu e sem a autorização da prefeitura municipal. Na última terça-feira, os presidentes das duas agremiações, Luiz Rodolfo Landim e Alexandre Campello, respectivamente, reuniram-se em Brasília para um almoço com o presidente da república, Jair Bolsonaro, a fim de discutirem o retorno da bola rolando no Rio de Janeiro e utilizando as medidas realizadas na Alemanha como preparativo. Até então, no RJ, segundo Estado que mais matou no Brasil pela Covid-19 com mais de 3 mil mortes neste instante, somente Botafogo e Fluminense não assinaram o documento que autoriza a volta do Campeonato Carioca em virtude da disseminação da doença que ainda não atingiu o seu pico em solo brasileiro. No caso de Espanha, Itália, Inglaterra e Portugal, a situação é semelhante ao Brasil em número de casos confirmados e fatais, mas a curva do Coronavírus parece estar em queda nesses países europeus.

Com o crescimento diário da Covid-19, o Brasil, quarto país no mundo que mais sofre com a doença, soma no total mais de 271 mil casos confirmados, sendo 147 mil ativos e 107 mil recuperados neste momento. A Espanha, terceiro país no mundo em número de casos confirmados e óbitos, com 278 mil pessoas no total infectadas e mais de 27 mil vítimas, tem 150 mil recuperadas pela doença e ainda 100 mil ativas. No país hispânico, Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, três dos principais clubes de futebol da Espanha, voltaram aos treinamentos nas últimas semanas e realizam atividades no gramado seguindo as orientações determinadas pelos órgãos de saúde. Mas por lá, existe um avanço maior no que diz respeito às atividades internas e a projeção de regresso do Campeonato Espanhol, neste caso, é mais animadora tendo a Alemanha como exemplo. Enquanto a própria Alemanha dá prosseguimento na sua principal competição doméstica com os jogos da 27ª rodada agendados para o próximo fim de semana, nessa semana foi a vez de a Escócia também encerrar antecipadamente o seu campeonato por causa do Coronavírus, assim como fizeram França e Holanda. No caso do Campeonato Escocês, o Celtic foi declarado campeão.

Com expectativa para 4 de junho, Campeonato Português deve ser o próximo a retornar dentre os principais no mundo; Porto é o líder. Foto: FC Porto

Um dos inúmeros desafios que todos os times de futebol no mundo e seus respectivos departamentos médicos vão precisar superar na volta aos gramados são as possíveis lesões dos seus jogadores. No último fim de semana, oito atletas da Bundesliga lesionaram-se no retorno dos jogos, uma vez que ficaram quase dois meses sem atuarem, e tal problema possivelmente já está sendo observado e tratado tanto pelos clubes alemães quanto pelas agremiações dos demais países que querem o retorno imediato da bola rolando para evitarem contusões mais graves dos seus atletas. Após o encerramento da 26ª rodada da Bundesliga, Thorgan Hazard (Borussia Dortmund), Giovanni Reyn (Borussia Dortmund), Sebastian Rudy (Hoffenheim), Ihlas Bebou (Hoffenheim), Skjelbred (Hertha Berlim), Klaus Gjasula (Paderborn), Marcus Thuram (Borussia Monchengladbach) e Todibo (Schalke 04) saíram lesionados.