Mesmo com venda de jogador, Corinthians vive insegurança e pode não renovar contratos de outros atletas

Clube atravessa momento desafiador por causa da crise do Coronavírus e sequência da temporada passa a ser incerta em vários aspectos aliada à crise dentro de campo

Camisa 10 do Corinthians, Pedrinho (D) fica no time somente até o mês de julho.
Foto: Divulgação/Corinthians

Belo Horizonte, 28/04/2020 – Portal Futebol Diário

Marco Túlio Souto

Sem ganhar uma partida desde o dia 13 de fevereiro, quando venceu e mesmo assim teve um sabor amargo, o ano de 2020 não começou nada positivo para o Corinthians antes mesmo da pausa do futebol devido ao caos do novo Coronavírus. Inicialmente com uma disputa por um lugar na fase de grupos da Libertadores, a expectativa era bastante otimista por clube e torcedor, principalmente com um novo técnico no comando e contratações de jogadores como Luan, Éderson e Yonny González para o elenco. Contudo, a eliminação precoce na fase preliminar da Libertadores para o Guaraní, do Paraguai, em Itaquera, frustrou um dos planos mais importantes do clube para a atual temporada e causou também um dos prejuízos financeiros visando o ano de pelo menos R$ 29 milhões, além de eliminar qualquer possibilidade de disputa em 2020 na Copa Sul-Americana. Desta forma, o clube passou a planejar a temporada de outra maneira com três competições e, uma delas, o Corinthians nem sequer figura na faixa de classificação com uma má fase interminável. Quando a bola precisou parar de rolar por causa da Covid-19, o Corinthians estava em terceiro lugar no Grupo D do Campeonato Paulista, com 11 pontos ganhos, atrás de Bragantino (17) e Guarani (16) restando apenas duas rodadas para o término da primeira fase.

Caso os Campeonatos Estaduais retornem após o Coronavírus, o Corinthians tem logo de quebra o arquirrival Palmeiras como próximo adversário e vai precisar vencer – algo que não acontece no Campeonato Paulista desde 2 de fevereiro quando bateu o Santos – além de ser obrigado a superar também o Oeste-SP, na última rodada, para ter chances de classificação às quartas de final do Paulistão a fim de não decepcionar novamente a sua torcida em 2020. Em meio a essa pressão dentro das quatro linhas, ela deu lugar agora a uma apreensão do clube fora dos gramados neste momento com absolutamente tudo parado no esporte. Uma das grandes preocupações do Corinthians, assim como os demais clubes brasileiros e internacionais, é manter as contas no eixo com os salários de jogadores, comissão técnica e funcionários em dia, mas tais compromissos passam a ficar incertos para os próximos meses justamente pela falta de arrecadação e dificuldades de outros acordos contratuais, como de TV e patrocinadores, para manter as contas equilibradas. No dia 11 de março, quando o futebol estava prestes a paralisar, o Benfica, de Portugal, anunciou a contratação de um dos principais jogadores corintianos do plantel atual e o dinheiro depositado no caixa do Corinthians foi celebrado pelo clube apesar de uma perda técnica a partir de julho deste ano.

Por 20 milhões de euros, cerca de R$ 93 milhões na cotação da época, Pedrinho foi negociado e deixará o CT Joaquim Grava no início do segundo semestre com contrato assinado até 2025 para jogar na capital lusitana. Aos 22 anos de idade, o atleta vinha atuando sob as ordens do técnico Tiago Nunes, mas a necessidade financeira corintiana obrigou ao clube, dono de 70% dos direitos econômicos de Pedrinho, em vender o jovem jogador para aliviar o saldo negativo na conta bancária. Para se ter ideia que nada está fácil no Corinthians, o clube viveu nos últimos dias uma situação desagradável depois do corte de energia do Parque São Jorge por causa de uma falta de pagamento. Para o decorrer deste ano e com as inúmeras incertezas de como o futebol voltará quando a Covid-19 passar, o Corinthians pode começar a adotar a diminuição de gastos no seu elenco, sobretudo, com jogadores que têm seus respectivos vínculos contratuais próximos de expirarem.

Atualmente no time corintiano, quatro atletas têm seus contratos com término neste ano. Um deles é o jovem zagueiro Léo Santos, de 21 anos, que tem contrato com o Corinthians até 12 de setembro. Até o momento, o vínculo do atleta não foi renovado e o jogador passa a ter o direito de assinar um pré-contrato com um outro clube caso for do seu interesse. Ao término do vínculo contratual de Léo Santos e se não houver prorrogação do acordo, o zagueiro deixará o time a custo zero e o Corinthians perderá de ganhar algum valor pela saída do atleta. Já outros jogadores cujos contratos finalizam também em 2020 são o lateral esquerdo Sidcley, e os atacantes Vágner Love e Mauro Boselli. Todos eles, diferentemente de Léo Santos, têm seus vínculos até 31 de dezembro de 2020 e podem, a partir do segundo semestre, assinarem um pré-contrato com outra equipe caso queiram deixar o Corinthians. No plantel corintiano, principalmente tratando-se do setor de ataque, o Corinthians tem a disposição Everaldo, Yonny González, Janderson, Matheus Davó e Luan como opções, algo que pode ser determinante para as continuidades ou não de Love e Boselli. Semelhante a essa situação vive também Sidcley, uma vez que na lateral esquerda corintiana, os jovens Lucas Piton e Carlos Augusto, são opções.