Cobranças de jogadores, quedas de receitas e desafios pela frente: Galo tem sensações distintas durante a Covid-19

Após começar oficialmente as obras do seu novo estádio, Atlético convive com problemas fora das quatro linhas movidos majoritariamente por ex-atletas do clube

Ao lado de Tardelli em treinamento, Maicosuel (E) atuou no Galo por quatro anos e clube italiano quer valores restantes de transferência. Foto: Bruno Cantini/Atlético

Belo Horizonte, 23/04/2020 – Portal Futebol Diário

O momento de nenhum clube de futebol no Brasil e no mundo é positivo atualmente. Desde que o novo Coronavírus impossibilitou o prosseguimento de campeonatos, as instituições futebolísticas têm tomado sérias medidas para assegurarem pelo menos os seus funcionamentos, direitos dos atletas e trabalhadores em geral apesar de a bola não estar rolando. O Atlético, o qual foi um dos inúmeros times brasileiros que precisou diminuir as suas despesas salariais devido à falta de arrecadações neste instante, vive sensações distintas em meio à crise da Covid-19 e sabe que vai necessitar de encarar com muita garra em diante para resistir firme ao impacto da doença que já vitimou mais de 188 mil pessoas no planeta. Depois de iniciar oficialmente as obras da Arena MRV, no dia 20 de abril, e ainda estar com o sentimento de alegria pelo começo da construção do seu novo estádio, o Atlético sabe ao mesmo tempo que tem questões financeiras importantes a serem tratadas com três ex-jogadores do clube específicos: Maicosuel, Maicon Bolt e Uilson Pedruzzi. Todos eles, acionaram o Atlético e cobram muito dinheiro.

No primeiro caso, quando o Atlético era presidido ainda por Alexandre Kalil, o clube contratou o meio-campista Maicosuel, mas até então não quitou totalmente a aquisição do jogador em um valor total de 3,3 milhões de euros na ocasião, junto à Udinese, da Itália. O time italiano que por três anos teve Zico vestindo a sua camisa, aguarda por sua vez o restante da quantia da transferência a ser paga em R$ 12,5 milhões agora pela administração do atual presidente do Galo, Sérgio Sette Câmara, que precisou assumir a dívida. Com a ação da Udinese ao Atlético na FIFA devido ao débito restante, a diretoria atleticana tem até 28 de abril para quitar o montante final caso não queira ver o clube punido esportivamente pela entidade máxima do esporte neste ano. Além disso, outros jogadores que defenderam as cores alvinegras e os quais acionaram o Galo na Justiça são o goleiro Uilson, revelado nas categorias de base do Atlético, e o atacante Maicon Bolt, contratado pelo clube em 2019 na época em que Marques era o diretor de futebol e um dos responsáveis junto com Sette Câmara pela formação do plantel atleticano.

Inconformado com a rescisão contratual em fevereiro deste ano, uma vez que para o atleta o seu vínculo com o Atlético era até 31 de dezembro de 2021, Maicon Bolt foi dispensado do Galo já com Rui Costa na direção do futebol e, segundo o clube, por causa de baixo rendimento em campo com somente cinco jogos completos entre os titulares durante um ano vestindo as cores alvinegras e apenas dois gols marcados. Porém, a quebra de contrato não aconteceu de maneira amigável para o jogador e Maicon não estava interessado em deixar o Galo – motivo o qual, cobra do clube R$ 20 milhões alegando terem ‘obrigado’ a sua saída. Na ação trabalhista de Maicon Bolt contra o Atlético, ele exige do Galo direitos de imagem de novembro e dezembro (2019); salário de janeiro (2020); FGTS sob salários de setembro a janeiro e 13º; 13º salário proporcional; premiação; luvas pela assinatura do contrato; férias proporcionais; rescisão do contrato de trabalho; honorários na Justiça do Trabalho; indenização adicional; multa do Artigo 467 da CLT; e multa do Artigo 477 da CLT.

Já no caso de Uilson, atualmente no modesto Coimbra de Contagem e goleiro reserva na campanha do título da Seleção Brasileira nas Olimpíadas de 2016 quando ainda fazia parte do elenco do Galo, o seu processo ao Atlético é por uma cobrança de R$ 1,6 milhão. Por parte do arqueiro, ele cobra do seu ex-clube diferenças salariais, indenização, multas e pagamento de férias, deixando o Galo com mais compromissos financeiros neste momento e exigindo também uma luta árdua pela frente do departamento jurídico atleticano. No dia 15 de abril, o Atlético tinha outra ação na FIFA movida na oportunidade pelo Huachipato, do Chile, o qual demandava 50% do valor de empréstimo de 5 milhões de euros de Rómulo Otero para o Al-Wehda, da Arábia Saudita. Entretanto, o Galo conseguiu vencer a disputa jurídica e não precisou desembolsar nenhuma grana nos cofres da equipe chilena.

Tais situações aliadas à paralisação do futebol e sem previsão concreta de retorno das competições, deixam o Atlético com problemas, sem a mesma receita de outrora e com sabores distintos neste momento justamente durante a construção da sua casa própria. Diante do atual elenco que tem como jogadores Diego Tardelli, Réver, Guilherme Arana, Rafael, Victor, Cazares e a comissão técnica de Jorge Sampaoli, o clube – que também teve nos últimos dias dois contratos de patrocinadores interrompidos por causa da falta de jogos – tenta manter com dificuldades os seus compromissos mensais mesmo após uma redução de 25% da folha salarial. No caso do novo estádio, que deve ter suas obras finalizadas no segundo semestre de 2022, o Atlético prevê um custo de R$ 410 milhões ao fim do projeto e projeta faturar com a sua própria casa no futuro cerca de R$ 100 milhões anuais, sendo essa a melhor notícia de momento do clube mediante a problemas judiciais, dívidas e desafio de crescer o seu novo programa de sócio-torcedor. Antes de ir novamente ao mercado para contratações este ano, uma das alternativas do Galo para dar força ao seu caixa pela frente pode ser possivelmente vendas de ativos e a volta das rendas, sobretudo, de bilheterias das partidas oficiais, algo incerto em diante com a grande probabilidade de jogos sem a presença dos torcedores nos estádios até o fim de 2020 por causa do Coronavírus.