Maior estádio da Europa não deve receber mais público em 2020 e medida pode ser tendência no mundo

Palco onde joga inúmeros craques do planeta dificilmente abrigará neste ano apaixonados pelo Barça e pela bola por causa do Coronavírus

Camp Nou está de portões fechados há mais de um mês e pode reabri-los somente em 2021. Foto: Portal Futebol Diário

Belo Horizonte, 21/04/2020 – Portal Futebol Diário

Marco Túlio Souto

Desde que a Covid-19 assolou o mundo, o futebol, especificamente, promete não ser o mesmo por um certo tempo quando a pandemia do Coronavírus passar. Com a diminuição drástica de receitas, as consequências causadas pela doença vêm sendo bastante prejudiciais a todos os clubes do planeta e a maioria das instituições futebolísticas já reduziram salários de jogadores, comissão técnica, funcionários e em alguns deles até a própria diretoria abaixou o seu ganho financeiro mensal a fim de evitar uma maior crise econômica. Diante desse impacto provocado pela falta de maiores arrecadações das agremiações, os clubes devem posteriormente continuar não recebendo uma de suas principais receitas mesmo quando o futebol retornar – caso da bilheteria. Sem ela atualmente e, a qual causa um dos sérios problemas financeiros dos clubes neste momento, o futebol não deve ter público nos estádios até o fim de 2020. A informação não é oficial, porém, com a manutenção de milhares de mortes e milhões de casos da Covid-19 no mundo sem data para término e apesar de milhares de pacientes recuperados, dificilmente poderá haver grandes aglomerações dentro e fora dos estádios em dias de jogos, para evitar que o Coronavírus volte novamente em grande proporção em uma eventual situação de diminuição profunda e estagnação da doença em óbitos, casos e contágio no segundo semestre deste ano.

Na Europa, continente com o maior número de casos confirmados e mortes no mundo por Coronavírus, o Camp Nou, estádio do Barcelona e maior palco em capacidade de torcedores do Velho Continente, dificilmente abrirá as portas neste ano embora que seja cogitado a presença de aficionados em menor número e com uma determinada distância nas arquibancadas. Além de estádio de futebol, o Camp Nou, que comporta 99 mil pessoas, é um dos principais pontos turísticos da capital da Catalunha e recebe em tempos normais, além das partidas do Barça, visitantes ao seu museu de pessoas e torcedores barcelonistas do mundo inteiro. Nessa terça-feira e como forma de ajudar no combate ao Coronavírus, o Barcelona anunciou que vai ceder pela primeira vez o namings rights do Camp Nou a um patrocinador, ou seja, a empresa que patrocinará terá direito de explorar a sua marca no nome do estádio do Barça. A ação, contudo, é válida a partir da próxima temporada e o valor pago pelo patrocinador será investido pelo Barcelona em pesquisas de combate a Covid-19 na capital catalã.

Na Espanha, país na Europa com o maior número de casos confirmados de Coronavírus com um total de 204 mil e segundo em mortes com mais de 21 mil até o momento, cogita-se voltar o futebol somente no segundo semestre deste ano para finalizar a temporada 2019/20 e mesmo assim com medidas protetivas aos atletas e trabalhadores nos estádios. Nesta quinta-feira, a UEFA, entidade máxima do futebol europeu, decidirá junto com todas as federações futebolísticas da Europa qual vai ser inicialmente o futuro dos campeonatos à nível território nacional e internacional no Velho Continente ainda que o cenário em todos os continentes do mundo seja de ‘guerra’. A mesma situação de indefinição passa a Itália, país que ainda lidera na Europa o maior número de óbitos pela Covid-19 – até então, mais de 24 mil pessoas faleceram e 184 mil pegaram a doença. No principal torneio de clubes do Velho Continente, a Champions League tem neste instante três representantes espanhóis, três italianos, dois ingleses, dois alemães e dois franceses nas oitavas de final da competição, países que contabilizam juntos 402.196 casos ativos de Coronavírus e 87.038 mortes – cenário este que impossibilitaria o deslocamento e tráfego de torcedores das equipes de um país para o outro com o intuito de acompanhar as partidas nos estádios.

No Brasil, onde o Coronavírus provocou até então 2.741 óbitos e mais de 43 mil casos confirmados, a probabilidade de o futebol voltar com os estádios sem torcedores nas arquibancadas também é grande como na Europa e os clubes, aos poucos, começam a trabalhar com essa possibilidade sem contar em seus cofres em diante com a arrecadação semanal do dinheiro dos ingressos dos jogos. De acordo com os órgãos de saúde, o paciente recuperado da Covid-19 pode posteriormente pegar a doença mais uma vez e, desta forma, o isolamento social permanece sendo a principal forma de evitar a maior disseminação da doença. Enquanto países como Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra e Brasil, por exemplo, acreditam no retorno do futebol nos próximos meses, a Holanda bateu o martelo e definiu que voltará a protagonizar partidas de futebol somente em 1º de setembro caso a Covid-19 esteja contida. Nos Estados Unidos, país no mundo com o maior número de casos confirmados de Coronavírus com 824 mil e mais de 45 mil mortes, também não sabe quando o esporte no geral, casos de torneios como NBA, NFL e MLS, irão retornar com uma intensa crise também no sistema de saúde e inúmeros setores.