Mattos e Sampaoli almejam alcançar um feito não conquistado por dupla em década passada no Galo

Novos contratados do Galo começam a trabalhar e têm a missão de quebrar cedo ou tarde um longo tabu alvinegro no futebol nacional

Jorge Sampaoli e Alexandre Mattos conversam antes de treinamento do elenco atleticano. Foto: Bruno Cantini / Agência Galo / Atlético

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

Da galeria de títulos do Atlético, o clube possui pelo menos uma taça das principais competições que disputa desde a sua fundação. Campeão do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil, Libertadores, Conmebol, Recopa Sul-Americana e do Campeonato Mineiro, o Galo quer voltar a conquistar um caneco que não vem desde 1971 e notoriamente a principal prioridade do clube para 2020 ou nos próximos anos. Depois de bater na trave algumas vezes recentemente e sem contar o passado, o Galo quer buscar neste ano encerrar tamanho jejum do título do Brasileirão e está movimentando-se para tal, dentro e fora de campo. Depois das eliminações vexatórias da Sul-Americana e Copa do Brasil neste começo da atual temporada, a diretoria atleticana buscou ousar e ao mesmo tempo arriscar financeiramente no mercado de transferências contratando duas figuras de prestígio no futebol nacional. Após demitir o técnico venezuelano Rafael Dudamel, o Atlético buscou seu antigo desejo, Jorge Sampaoli, para assumir a área técnica. No mesmo dia da demissão de Dudamel, o Galo também dispensou Rui Costa, ex-diretor de futebol e Alexandre Mattos foi a bola da vez do presidente do clube, Sergio Sette Câmara.

Com quatro títulos do Brasileirão no currículo, sendo dois pelo arquirrival Cruzeiro (2013 e 2014) e dois pelo Palmeiras (2016 e 2018), Alexandre Mattos vai tentar em diante pelo Atlético repetir sucesso que virou costume em sua carreira para tentar tirar o Galo da fila de espera do caneco do Campeonato Brasileiro. Na última terça-feira, Alexandre Mattos, demitido do Palmeiras em dezembro do ano passado e o qual desistiu também de trabalhar neste ano no Reading, da Inglaterra, foi apresentado oficialmente pelo Atlético, na Cidade do Galo e sem a presença da imprensa devido à pandemia do Coronavírus. Por esse motivo, os jornalistas precisaram enviar perguntas ao clube para o novo chefe do futebol atleticano e a primeira resposta de Alexandre Mattos como diretor-executivo do Galo foi através de uma pergunta do Portal Futebol Diário.

Sobre buscar repetir os feitos do passado em uma nova etapa da carreira, Mattos mantém, inicialmente, os pés no chão. “Acho que o Campeonato Brasileiro, de 2003 para cá, nos ensinou muitas coisas. Acho que está claro as necessidades para se conseguir realizar um bom Campeonato Brasileiro e começa com o nível de competitividade do elenco, não só a qualidade, mas também uma quantidade obviamente equilibrada. Acho que o Atlético tem comissão técnica forte, estrutura invejável, tamanho, peso e com algumas outras situações que podem vir, além do elenco atual, que a gente possa fazer um belo campeonato, sabendo que temos ainda tem o Campeonato Mineiro em disputa. A gente está focado também em fazer o melhor no Campeonato Mineiro e vamos tentar alcançar o título, respeitando todos os clubes. Depois disso, teremos mais tempo para analisar e planejar o difícil Campeonato Brasileiro”, disse Mattos.

Em 2012 e 2015, o Atlético ficou no quase pelo Brasileirão amargando em cada um desses anos o vice-campeonato. A partir da temporada 2012, uma dupla, no entanto, começou a traçar sucesso no Galo e ajudou, posteriormente, o clube a conquistar novos feitos em sua história. Tratam-se do ex-diretor de futebol Eduardo Maluf, falecido em junho de 2017 e o técnico Cuca, atualmente sem dirigir nenhum time. No primeiro ano dos principais mandatários do futebol do Atlético, o Galo ficou em segundo lugar na disputa do Campeonato Brasileiro de 2012, equipe que tinha Ronaldinho Gaúcho. Ao término da competição, o Atlético ficou com 72 pontos, cinco a menos em relação ao campeão, Fluminense e bateu na trave. Porém, em 2013, a dupla Maluf e Cuca conquistou Campeonato Mineiro e Libertadores, restando por exemplo, o Campeonato Brasileiro. Já entre 2014 e 2015, com Maluf ainda na direção de futebol e Levi Culpi como treinador no lugar de Cuca, o Atlético tornou-se campeão da Copa do Brasil, sobre o arquirrival Cruzeiro e da Recopa Sul-Americana, diante do Lanús, e foi mais uma vez vice-campeão do Campeonato Brasileiro ao terminar em 2015 com 69 pontos no certame, atrás do vencedor Corinthians, que consagrou-se campeão com 81 pontos somados.

Jogadores do Atlético em treino na Cidade do Galo. Imagens: Portal Futebol Diário

Enquanto Alexandre Mattos é praticamente um especialista em como conquistar o Campeonato Brasileiro, Jorge Sampaoli busca, por sua vez, vencer pela primeira vez a competição. Curiosamente, em 2019, o treinador argentino fez como o Atlético em anos passados e bateu na trave. Pelo Santos, Sampaoli foi vice-campeão na última disputa do Brasileirão perdendo o título para o Flamengo e seu anseio pela taça desse certame alia-se com a vontade e ciente necessidade do Atlético. Longe ainda de começar, o Campeonato Brasileiro pode também sofrer alteração em sua data de início, agendada para o começo de maio, por causa da paralisação do futebol brasileiro devido ao Coronavírus. Assim sendo, quando a bola voltar a rolar, o pensamento do Galo seguirá dentro do território estadual com a disputa do Campeonato Mineiro, torneio que o Atlético, maior detentor da competição com 44 títulos, não vence desde 2017 – justamente no último ano de Eduardo Maluf dono do cargo de diretor de futebol do Galo.

Contratações e dispensas

Tanto Jorge Sampaoli quanto Alexandre Mattos têm em suas filosofias de trabalho contratações de peso para buscarem os melhores resultados em um clube de futebol. Sabendo da necessidade de voltar a erguer um caneco, o Atlético fez diferente neste ano e foi ao mercado da bola buscar jogadores para repor saídas de atletas e agregar ao plantel. Chegaram até o momento como contratações o goleiro Rafael; os laterais Maílton e Guilherme Arana; os meio-campistas Allan, Hyoran e Dylan Borrero; e os atacantes Jefferson Savarino e Diego Tardelli. Na primeira entrevista coletiva de Sampaoli como técnico do Galo, o Portal Futebol Diário questionou ao treinador sobre a busca de novos reforços visando a sequência da temporada 2020, e o argentino não fugiu do questionamento. Para Jorge Sampaoli, o Atlético precisa de mais contratações e à nível clubes como Flamengo, Palmeiras e Grêmio para ter condições de disputar de igual para igual com essas respectivas equipes.

Um sonho de consumo da torcida atleticana é o atacante Róger Guedes, atualmente jogador do Shandong Luneng, da China, e o qual está no Brasil devido ao Coronavírus fazendo trabalhos físicos e com bola em Santa Catarina enquanto o Campeonato Chinês não retorna. Para Alexandre Mattos, a vinda de Róger Guedes ao Atlético torna-se difícil devido ao caixa atual do clube, além da alta do dólar e o tempo de contrato do atleta com sua equipe. Mas, caso Róger Guedes realmente não desembarque em Belo Horizonte para assinar com o seu ex-clube, é provável que o Galo siga na janela de transferências na tentativa de anunciar mais contratações e um zagueiro é prioridade. Em contrapartida, o clube também busca enxugar a folha salarial e demitiu, nos últimos dias, por exemplo, o preparador de goleiros Chiquinho e o auxiliar-técnico James Freitas. Além da necessidade dita pelo próprio treinador alvinegro por novos jogadores em campo, o Galo passa a buscar também um novo preparador de goleiros. Taffarel, ex-goleiro do Atlético e da Seleção Brasileira, é um nome especulado para a função.