Adílson Batista é demitido do Cruzeiro após novo revés; clube se complica na luta pelo G-4 do Estadual

Cruzeiro volta a apresentar rendimento tenebroso dentro de campo e não consegue superar equipe de pior ataque do Campeonato Mineiro; treinador e diretor de futebol deixam a Raposa

Adílson Batista não suporta pressão e sai do Cruzeiro. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Uma vitória nos últimos nove jogos. A fase do Cruzeiro em 2020 segue péssima e preocupante aos seus respectivos torcedores. Depois de sair derrotado para o CRB, na última quarta-feira, pela partida de ida da terceira fase da Copa do Brasil, no Mineirão, a Raposa não conseguiu superar neste domingo o desesperado Coimbra, time da cidade de Contagem. Em duelo válido pela nona rodada do Campeonato Mineiro, na Arena Independência e com os portões fechados devido à pandemia do Coronavírus, o Coimbra venceu o Cruzeiro pelo placar de 1 a 0 e conquistou a sua primeira vitória na competição e pela primeira vez na divisão principal do Estadual em Minas Gerais. O importante triunfo deixa o Coimbra com sete pontos e agora fora da zona de rebaixamento, enquanto a derrota para a Raposa mantém a equipe cruzeirense na quinta posição com 14 pontos e fora do G-4, atrás de América, Tombense, Atlético e Caldense. O revés do Cruzeiro para o time de Contagem, o qual possui também o pior ataque do Campeonato Mineiro com somente três gols feitos, foi o terceiro da Raposa no Estadual e o quarto na atual temporada. Além disso, o novo vexame do Cruzeiro neste ano provocou posteriormente depois da partida às demissões do técnico Adílson Batista e do diretor de futebol, Ocimar Bolicenho.

Pelo Campeonato Mineiro, o Cruzeiro chegou para o confronto contra o Coimbra vindo de derrota no clássico para o Atlético e necessitava de qualquer forma da reabilitação a fim de não correr o risco neste momento real de ficar fora da semifinal do Estadual. Sem Léo, Edílson e Robinho, os quais não apresentaram condições físicas de jogo, Adílson Batista necessitou escalar o Cruzeiro diferente já que precisou poupar também Marcelo Moreno no ataque por desgaste físico. Além disso, o agora ex-treinador celeste impôs as estreias entre os titulares dos recém-contratados, casos dos zagueiros Marllon e Ramon, e do volante Jean. Assim, começaram a partida pela Raposa diante da equipe treinada por Diogo Giacomini: Fábio; Jadsom, Marllon, Ramon e Rafael Santos; Jean, Ariel Cabral, Maurício e Everton Felipe; Alexandre Jesus e Thiago.

Novamente sem padrão de jogo, o Cruzeiro pouco apresentou futebol no primeiro tempo no Independência e viu o seu adversário jogar melhor nos primeiros 45 minutos de partida. Porém, na primeira etapa, nenhuma ocasião clara de gol foi ocasionada por parte das duas equipes com pouca precisão nos arremates e falta de qualidade técnica nas chegadas ao sistema ofensivo. Na volta para o segundo tempo, o técnico Adílson Batista fez uma modificação no Cruzeiro ainda no intervalo e substituiu Alexandre Jesus por Jhonata Robert. A mudança até provocou um pouco de movimentação no ataque cruzeirense, mas seguia faltando no conjunto celeste a mesma qualidade e intensidade de outrora. O próprio Jhonata Robert tentou acertar a meta oponente em finalização com o pé direito e não conseguiu. O mesmo aconteceu com Maurício e, posteriormente, com Marcelo Moreno, esse que saiu do banco de reservas na vaga de Thiago e buscou, de cabeça, fazer o gol da salvação do Cruzeiro sem sucesso.

Cruzeiro não conseguiu ser eficaz mais uma vez na temporada 2020.
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A melhor chance da Raposa na etapa complementar, contudo, surgiu dos pés do volante Ariel Cabral, que fez a sua estreia como titular do Cruzeiro em 2020. Após receber ótimo lançamento, o jogador argentino apareceu em bela condição no ataque, dominou a bola com categoria e chutou com o pé direito. Bem colocado, Glaycon, goleiro do Coimbra, defendeu e assegurava naquele instante o empate parcial em Belo Horizonte. Quando o Cruzeiro estava justamente mais perto do ataque em relação à primeira etapa, o time cruzeirense tomou um ‘balde de água fria’ para desespero de Adílson Batista. Aos 40 minutos, Jadsom cometeu falta boba pela intermediária e recebeu o cartão amarelo, terceiro dele no Campeonato Mineiro e o qual deixa suspenso para a próxima partida. Na cobrança, o lateral direito Vitor Hugo encheu o pé e a bola desviou na barreira azul para enganar Fábio e dar o triunfo ao Coimbra. Além da grave derrota, o Cruzeiro também perdeu para o jogo diante da URT – próximo compromisso celeste pelo Estadual em BH e com data indefinida devido à paralisação do Campeonato Mineiro imposta pela Federação Mineira de Futebol por causa do Coronavírus – o seu meio-campista e artilheiro Maurício, outro que recebeu o terceiro cartão amarelo contra o Coimbra.

Saldo negativo

Na última quinta-feira, a permanência de Adílson Batista sob o comando técnico do Cruzeiro foi bastante discutida na Toca da Raposa II em uma longa reunião do Conselho Gestor do clube depois do revés cruzeirense na Copa do Brasil. No fim das contas, entretanto, o treinador teve o seu trabalho mantido e a esperança era de uma mudança de postura da equipe celeste diante do Coimbra aliada a um resultado positivo, cenário completamente e mais uma vez oposto. Com contrato assinado até dezembro deste ano e, por sua vez, interrompido, essa foi a segunda passagem de Adílson Batista pelo Cruzeiro como treinador de futebol. Contratado em novembro do ano passado por Zezé Perrella para substituir Abel Braga, também demitido na ocasião, Adílson Batista não resistiu e o clube passa agora a buscar um novo treinador no mercado.

Nessa segunda etapa como técnico celeste, Adílson Batista não conseguiu também evitar o rebaixamento à Série B nas três últimas partidas do Campeonato Brasileiro de 2019, depois de derrotas para Vasco, Grêmio e Palmeiras. Contudo, o Conselho Gestor do Cruzeiro decidiu mesmo assim manter o treinador para o projeto de reconstrução em 2020, algo que acabou não sendo longevo como em sua primeira passagem como técnico da Raposa entre 2008 a 2010. Reunindo os jogos da temporada passada, Adílson Batista comandou o Cruzeiro nessa segunda passagem pela Toca II em um total de 15 partidas, com 4 vitórias, 4 empates e 7 derrotas, além de 15 gols marcados e 20 sofridos.

Desde a demissão de Mano Menezes, em agosto do ano passado, o Cruzeiro vai ter em diante o quarto treinador nos últimos sete meses. Para o lugar de Adílson Batista, nomes como Guto Ferreira, Thiago Larghi, Marcelo Oliveira, Jair Ventura, Enderson Moreira, Alberto Valentim e Geninho, por exemplo, são algumas das alternativas para a difícil realidade financeira, futebolística e institucional da Raposa. Já treinadores ‘medalhões’ como o próprio Mano Menezes, além de Cuca e Luiz Felipe Scolari e os quais estão sem clubes neste momento, são as demais opções em destaque, mas longe dos dias atuais do Cruzeiro. Além de treinador, o clube celeste também está em busca a partir de agora de um novo diretor de futebol. Os anúncios para os lugares tanto de Adílson Batista quanto de Ocimar Bolicenho devem ocorrer em breve por parte do Conselho Gestor cruzeirense.