Jorge Sampaoli: “Não há uma receita mágica para conquistar rápido os títulos”

Técnico argentino se anima com a estrutura oferecida pelo Atlético e elogia a Cidade do Galo; porém, Jorge Sampaoli reforça à necessidade de mais contratações para o decorrer de 2020

Sampaoli chega ao Galo com a confiança da torcida e diretoria após vice-campeonato do Brasileirão pelo Santos. Foto: Bruno Cantini / Agência Galo / Atlético

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

Jorge Sampaoli inicia oficialmente à sua etapa no Atlético e os trabalhos já estão em andamento e a todo vapor na Cidade do Galo, em Vespasiano. Contratado para substituir o demitido técnico venezuelano, Rafael Dudamel – que acumulou duas eliminações precoces neste começo de temporada em somente um mês e meio à frente da equipe alvinegra – Sampaoli assinou vínculo contratual até o fim de 2021 com o Atlético e sabe desde então da responsabilidade que tem diariamente, sobretudo, na busca por conquistas carecidas do clube há três anos. Nesta segunda-feira, o treinador argentino foi apresentado de forma oficial na Cidade do Galo ao lado do presidente do clube, Sergio Sette Câmara, e comandou a sua primeira atividade com quase todos os atletas disponíveis em campo. Durante a sua primeira entrevista coletiva pelo Galo, o novo técnico atleticano falou sobre muitos assuntos, dentre eles, em relação ao futebol brasileiro na atualidade que reúne clubes como Flamengo e Palmeiras com maior poder aquisitivo, algo que Jorge Sampaoli vivenciou no ano passado sob o comando técnico do Santos e outrora como treinador do Sevilla, da Espanha, quando precisou competir com Real Madrid e Barcelona pelo Campeonato Espanhol 2016/17.

Questionado pela reportagem do Portal Futebol Diário sobre a forma a qual vai lidar com esta mesma situação em 2020 comparada às anteriores, apesar de o Atlético estar fazendo esforços na janela de transferências, Jorge Sampaoli salienta que ainda é importante a diretoria atleticana continuar atenta no mercado da bola. “Sempre falo que chega (eu) um treinador com experiência e com uma ideia definida, mas o mais importante são os jogadores que representam o clube. Podemos dar ao jogador a obrigação de jogar de determinada maneira e ter o seu protagonismo, além de fazer valer a camisa que veste. Certamente vamos ter que recorrer a jogadores à altura de Flamengo, Palmeiras e Grêmio, clubes de maior poder aquisitivo e aqueles que sempre estão lutando pelos torneios. Sem isso, é muito difícil. Primeiro, vamos ter que trazer jogadores que agregam a este time e depois pensar em uma ideia conjunta para lutar contra os times que estão com maior tempo de preparação. Não há uma receita mágica para conquistar rápido os títulos e tudo levará tempo, seja a curto prazo, médio, longo ou nunca. Vamos trabalhar duro para devolvermos o encanto aos torcedores e essa é a minha motivação”, revela o treinador.

Além disso, Sampaoli salientou durante à resposta ao Portal Futebol Diário, que a escolha de vir para o Atlético depois de deixar o Santos em dezembro passado, algo acabou sendo determinante como as condições de trabalho oferecidas na Cidade do Galo visando uma preparação assídua e com qualidade a fim de lograr os objetivos da instituição. “A estrutura do clube é a melhor da América do Sul e a torcida do Atlético é incrível. Outro dia foi emocionante (clássico contra o Cruzeiro) e falta agora darmos os resultados para eles dentro de campo”, completa. Aos 59 anos de idade, Jorge Sampaoli treina pela primeira vez em sua carreira o Atlético, e o Galo é apenas o seu segundo clube brasileiro dirigido na carreira. Antes de comandar Atlético, Santos e Sevilla, por exemplo, Sampaoli treinou em destaque às Seleções da Argentina e Chile, além do Universidad de Chile, onde conquistou títulos por clube pela última vez, na última década.

Abraçado, Sampaoli traz consigo no Atlético quatro profissionais para a comissão técnica.
Imagens: Portal Futebol Diário

Prometendo desde já uma equipe bastante ofensiva e movida a marcar muitos gols, Jorge Sampaoli vai estrear pelo Atlético no sábado, diante do Villa Nova, às 19h, no Estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima. Para este jogo e também mirando toda a temporada, dois jogadores não estão mais nos planos do treinador argentino, casos do zagueiro Iago Maidana e do meio-campista Bruninho, ambos emprestados ao Sport Recife até dezembro deste ano e a lista de novos atletas emprestados pelo Atlético pode ainda aumentar nestas primeiras semanas de Sampaoli no clube. Vindo de triunfo importante sobre o Cruzeiro, pelo placar de 2 a 1, no primeiro clássico entre ambos em 2020, o Galo está neste instante em quarto colocado do Campeonato Mineiro com 15 pontos ganhos, atrás de Caldense e Tombense, que somam 17, além do líder América, o qual contabiliza 18 pontos. Na visão de Sampaoli e mirando a sequência da temporada “as eliminações da Sul-Americana e Copa do Brasil acabam oferecendo ao Atlético um tempo maior de preparação e por isso o futebol positivo terá que vir por parte de todos”, afirma.

Na tentativa de se manter no G-4 do Estadual e de olho ao mesmo tempo na ponta da tabela, Sampaoli quer estrear com o pé direito, porém, com “menos briga e mais intensidade do time dentro as quatro linhas”. Em relação à equipe titular que iniciou o confronto com a Raposa, no Mineirão, o novo técnico alvinegro não vai poder contar justamente com o autor do gol do Galo na vitória sobre o time cruzeirense, Rómulo Otero, que foi expulso da partida. Assim sendo, Jorge Sampaoli pode escalar o Atlético um pouco diferente em relação ao time que James Freitas, auxiliar técnico do clube, colocou em campo no clássico. Para o lugar de Otero, candidatam automaticamente para a vaga os meias Marquinhos, Dylan Borrero, Hyoran e Cazares, esse último que estreou na atual temporada contra o Cruzeiro e tem chances de começar entre os onze iniciais em Nova Lima para ganhar ritmo de jogo. Outro que também pode ser novidade no lugar de Rómulo Otero é Diego Tardelli, caso Sampaoli opte pela entrada do camisa 9 atleticano para atuar pela ponta esquerda do ataque.