Na briga pelo G-4 do Mineiro, Galo e Cruzeiro fazem único clássico assegurado da temporada 2020

Arquirrivais precisam da vitória para não correrem o risco de ficarem fora dos quatro primeiros colocados ao término da primeira fase do campeonato

Este vai ser o clássico de número 245 entre Atlético e Cruzeiro no Mineirão.
Foto: Portal Futebol Diário

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

Independentemente do cenário ou momento, a partida entre Atlético e Cruzeiro dificilmente vai deixar de ser um clássico bastante aguardado e com a mesma tradição de outrora pelos seus respectivos torcedores, para o futebol mineiro e brasileiro. Com crises que parecem inacabáveis, os dias de Galo e Raposa não são os melhores possíveis dentro e fora de campo, e o primeiro e único encontro garantido dos dois arquirrivais até então em 2020 é considerado por muitos como o mais incerto dos últimos anos no que diz respeito ao que se esperar das duas equipes durante o confronto. Neste sábado, às 19h, Atlético e Cruzeiro duelam pela oitava rodada do Campeonato Mineiro e com a certeza apenas do Mineirão lotado, que receberá um público total de 60 mil torcedores. Desta vez e diferente do costume em relação à década passada, o Galo vai ter a maioria da sua torcida nos assentos do novo Mineirão com 90% dos torcedores nas arquibancadas contra 10% de cruzeirenses. Outro fator inédito deste clássico em relação à história do embate pelo campeonato estadual é que Galo e Raposa lutam neste instante por um lugar fixo no G-4 da competição e não pela liderança como de praxe, atualmente pertencente ao América. Além desses ingredientes, esta será a primeira vez que o Atlético enfrentará o seu arquirrival Cruzeiro como um adversário atualmente da Série B do Campeonato Brasileiro, algo que aconteceu de maneira invertida em 2006, quando a Raposa encarou o Galo como uma equipe da segunda divisão nacional.

Antes do apito inicial logo mais, no Mineirão, Atlético e Cruzeiro chegam para o clássico em momentos distintos e próximos um do outro na tabela de classificação do Campeonato Mineiro 2020. Com 14 pontos ganhos, a Raposa vem de triunfo no Estadual na rodada passada sobre o Uberlândia, pelo placar de 2 a 1 e figura na quarta colocação. Além disso, o Cruzeiro também chega para o clássico deste sábado vindo de classificação importante nos pênaltis diante do Boa Esporte, pela segunda fase da Copa do Brasil, na última quarta-feira. Já o Galo, que possui 12 pontos somados, caiu para a quinta posição do Campeonato Mineiro e não vence uma partida pela competição há praticamente um mês, quando superou a URT, no dia 9 de fevereiro, por 1 a 0, em Patos de Minas – desde então pelo Estadual, são uma derrota (Caldense) e um empate (Boa Esporte), além de eliminações precoces na Sul-Americana e Copa do Brasil, em fevereiro passado.

Além da somatória de pontos, os números do Cruzeiro até o momento são superiores ao Atlético pelo Campeonato Mineiro. Em número de vitórias, são 4 a 3 para os azuis. No quesito gols marcados, a Raposa balançou as redes até então em 11 oportunidades, contra 10 do time atleticano. No fator gols sofridos, o Galo está à frente do Cruzeiro e sofreu quatro gols, três a menos comparado à Raposa que teve as suas redes balançadas sete vezes. Por outro lado, nos números históricos do clássico entre Atlético e Cruzeiro, a equipe alvinegra permanece superior nos confrontos diretos no retrospecto geral e também pelo Campeonato Mineiro. Em 495 jogos na história e reunindo todas as partidas disputadas, são 194 vitórias do Galo, 132 empates e 169 triunfos da Raposa. Já pelo Campeonato Mineiro, os dois arquirrivais mediram forças até antes de a bola rolar neste sábado em 270 ocasiões, com 108 triunfos do time atleticano, 70 empates e 92 vitórias da equipe celeste. No palco da partida de logo mais, entretanto, o saldo positivo é cruzeirense sobre o Galo, uma vez que os dois clubes se enfrentaram ao todo no Mineirão em 244 oportunidades, com 89 vitórias do Cruzeiro, 79 empates e 76 triunfos do Atlético.

Na última vez que Raposa e Galo ficaram frente a frente, o resultado da partida terminou empatado em 0 a 0, no Mineirão, em clássico válido pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, no dia 10 de novembro de 2019. Naquela oportunidade, o Cruzeiro precisava superar o Atlético de qualquer maneira para se afastar da zona de rebaixamento, enquanto o Galo necessitava também do triunfo visando ficar mais próximo de uma vaga na Sul-Americana que perto da zona da degola. Antes desse embate, o Atlético venceu o Cruzeiro duas vezes consecutivas na temporada passada, por Copa do Brasil e Brasileirão, respectivamente, na Arena Independência e pelo mesmo placar: 2 a 0. O último triunfo cruzeirense sobre o seu maior rival, em contrapartida, foi no dia 11 de julho do ano passado, quando a Raposa bateu o Galo por 3 a 0, no Mineirão, pela Copa do Brasil. Pelo Campeonato Mineiro, o tabu então fica com o Atlético, que não vence o Cruzeiro desde 1º de abril de 2018, quando o Galo ganhou o jogo de ida da final da competição pelo placar de 3 a 1, resultado que mesmo assim acabou gerando posteriormente o título celeste do Estadual daquele ano.

Interino contra experiente

Curiosamente, o primeiro clássico entre Galo e Cruzeiro na temporada 2020 vai proporcionar na área técnica dois treinadores com histórias distintas em relação ao confronto de logo mais. Com quase 13 clássicos acumulados como técnico da Raposa diante do Galo na carreira, Adílson Batista tem um retrospecto amplamente favorável devido à sua primeira passagem sob a batuta celeste, entre 2008 a 2010. Até o momento, Adílson Batista contabiliza 9 vitórias, 2 empates e somente 1 derrota perante o Atlético em seu retrospecto no confronto. Depois de dez anos, o treinador cruzeirense volta a encarar o time atleticano que, por sua vez, vai ter um treinador interino no banco de reservas por causa da demissão do técnico venezuelano, Rafael Dudamel e a não estreia ainda do novo treinador e contratação badalada do Atlético para a sequência da temporada, Jorge Sampaoli, ex-Santos. Quem irá gesticular a equipe alvinegra no gramado do Gigante da Pampulha será James Freitas, auxiliar técnico fixo do clube. Já o argentino Sampaoli, apesar de ausente na área técnica para este clássico, estará presente no estádio de olho em seus novos pupilos.

Prováveis times

Tanto James Freitas quanto Adílson Batista têm novidades e desfalques para o clássico que promete ser debaixo de chuva em Belo Horizonte. Por parte do Atlético, a principal contratação do clube até então para esta temporada, Diego Tardelli e o camisa 10 da equipe, Cazares, provavelmente vão estar como opções entre os suplentes do Galo para o decorrer do jogo. Tardelli, recém-contratado e de volta para a sua terceira passagem na carreira pelo Atlético, ainda não encontra-se em sua melhor forma física e pode assim mesmo reestrear na equipe alvinegra especialmente diante de um adversário que gosta de anotar gols. Já o segundo, o qual esteve com um pé fora do Galo durante a janela de transferências em janeiro passado, caso do meia equatoriano Cazares – que não conseguiu acertar à sua ida ao futebol árabe – é outro que apesar de não estar em plenas condições físicas, tem grandes chances de estrear oficialmente na atual temporada assim como Diego Tardelli.

Diego Tardelli pode fazer a sua nova estreia pelo Galo contra a Raposa.
Foto: Bruno Cantini/Atlético

Com duas grandes peças à disposição no banco de reservas e ainda sem o goleiro Rafael – que trocou o Cruzeiro pelo Atlético na última semana – James Freitas, mesmo assim, faz mistério sobre os onze iniciais que começarão a partida contra o Cruzeiro. As dúvidas na equipe titular atleticana ficam por conta de disputas pela zaga, lateral esquerda e meio de campo. No sistema defensivo, Igor Rabello, Gabriel e o capitão Réver disputam duas vagas. Ainda no mesmo setor, Guilherme Arana e Fábio Santos lutam por um lugar na lateral esquerda e deixa James Freitas com uma boa dor de cabeça. Já no meio de campo ofensivo, Hyoran, Rómulo Otero, Marquinhos, Dylan Borrero e Savarino peleiam por três vagas. Inicialmente, os únicos atletas confirmados entre os titulares do Galo para o clássico são o goleiro Victor; o lateral direito Guga; os volantes Jair e Allan; e o atacante Ricardo Oliveira Desta maneira e com a total obrigação de ganhar a partida, o provável Atlético vai ser Victor; Guga, Igor Rabello, Gabriel (Réver) e Guilherme Arana (Fábio Santos); Jair, Allan, Otero, Hyoran e Marquinhos; Ricardo Oliveira.

Do outro lado da Lagoa, Adílson Batista vai conseguir escalar um dos seus principais jogadores do plantel, Maurício e a primeira contratação de 2020 que chegou a BH depois de Diego Tardelli. Confirmado no ataque, Marcelo Moreno reencontrará o Atlético após seis anos desde a final da Copa do Brasil de 2014, quando o Galo venceu o título inédito da competição sobre a Raposa, no Mineirão. Nesta oportunidade, Marcelo Moreno é a maior esperança de gols do Cruzeiro e visa, por sua vez, fazer o seu primeiro tento em sua terceira passagem pela equipe cruzeirense justamente sobre o arquirrival. Enquanto o boliviano está garantido, o técnico Adílson Batista não vai poder contar com o volante Filipe Machado, que recebeu o terceiro cartão amarelo na partida anterior e está suspenso. Neste contexto, o treinador celeste tem a opção de escalar Robinho no meio de campo e o qual recuperou-se de lesão, mas o meio-campista deve ficar como alterativa para a sequência do clássico. Assim sendo, Pedro Bicalho pode ser o substituto imediato de Machado e o zagueiro Edu, improvisado, seria outra alternativa.

Jean veste a camisa número 28 do Cruzeiro e quer dar volta por cima na Raposa.
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Porém, se dependesse da vontade de Adílson Batista, ele possivelmente escalaria o mais novo volante do Cruzeiro e recém-contratado, caso de Jean, que está emprestado pelo Palmeiras à Toca II até dezembro deste ano. Apresentado oficialmente à Raposa na última sexta-feira, Jean manifestou o desejo de entrar em campo o quanto antes pelo seu novo clube, mas a sua presença no clássico deste sábado deve ser apenas em caso de uma grande novidade por parte do comandante cruzeirense. Outro volante e que se estivesse em totais condições físicas para atuar no jogo é o argentino Ariel Cabral, o qual retornou ao Cruzeiro na semana passada depois de 60 dias na Argentina resolvendo problemas particulares. Por sua vez, Ariel Cabral busca restabelecer o ritmo de jogo para brigar por uma vaga entre os titulares da Raposa e a luta pela posição promete esquentar em diante. Além de Jean, o Cruzeiro também anunciou de forma oficial na última sexta-feira o zagueiro Marllon, que estava no Corinthians e chega emprestado até o fim deste ano para lutar por espaço na zaga.

Outro zagueiro e, desta vez, próximo de ser anunciado oficialmente pelo Cruzeiro é Ramon, o qual esteve participando de alguns treinamentos da pré-temporada cruzeirense neste ano, contudo, acabou não concretizando na ocasião a sua transferência à Toca da Raposa. Em caso de empate contra o Atlético logo mais no Mineirão, o Cruzeiro vai permanecer no G-4 e pode até assumir à vice-liderança do certame mesmo somando um ponto diante do Galo. No entanto, para tal condição, a Raposa necessita de derrotas de Caldense e Tombense nesta rodada para terminar o fim de semana em caso de pelo menos um empate na segunda colocação do Campeonato Mineiro. Diante do Atlético, os jogadores que provavelmente vão iniciar a partida são Fábio; Edílson, Cacá, Léo (Arthur) e João Lucas; Pedro Bicalho (Edu), Adriano e Jadsom; Everton Felipe, Maurício e Marcelo Moreno.