Cruzeiro dificulta, mas Atlético triunfa com ‘pinturas’ e volta a ganhar no Estadual após um mês

Em clássico extremamente movimentado na capital mineira, Galo supera Raposa no apagar das luzes no Mineirão e assume provisoriamente à vice-liderança do Campeonato Mineiro

Mineirão teve grande festa e sem violência nas arquibancadas.
Fotos: Bruno Cantini / Agência Galo / Atlético

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

O primeiro e que pode também ter sido o último clássico entre Atlético e Cruzeiro neste ano teve emoções do início ao fim na noite desse sábado, no Mineirão, em Belo Horizonte. Em partida válida pela oitava rodada do Campeonato Mineiro 2020 e após confronto que teve o Galo superior na primeira etapa e a Raposa melhor no segundo tempo, venceu a equipe que tirou o ‘coelho da cartola’ nos minutos finais de jogo. Com golaço de Rómulo Otero, o Atlético venceu o Cruzeiro pelo placar de 2 a 1, e volta a ganhar uma partida no Estadual após um mês. A importante vitória atleticana no clássico também leva o Galo aos 15 pontos conquistados na competição e à segunda colocação provisória do Campeonato Mineiro, atrás do líder isolado América, que contabiliza 17 pontos. Já o Cruzeiro, que começou a rodada à frente do Galo na tabela com 14 pontos ganhos, perdeu automaticamente a quarta posição e agora está em quinto lugar, atrás de Caldense e Tombense, respectivamente, os quais também somam 14 pontos.

Para esse embate, Atlético e Cruzeiro não tiveram as mesmas equipes inicialmente escaladas em relação aos seus respectivos jogos anteriores na temporada. Quem mais sentiu a diferente escalação foi a Raposa, que perdeu de última hora o seu zagueiro e capitão, Léo, o qual sofreu um estiramento muscular na coxa e vai ser desfalque na equipe celeste para as próximas semanas. Por outro lado, no Galo, Diego Tardelli e Cazares foram as principais novidades nos relacionados do time e começaram o jogo no banco de reservas. Sob a batuta do auxiliar técnico James Freitas, que fez a sua última partida no comando atleticano com a contratação de Jorge Sampaoli – o qual inclusive esteve presente no Mineirão para assistir ao clássico – o treinador interino do Atlético na partida promoveu à estreia do atacante venezuelano, Jefferson Savarino, entre os titulares e essa foi a grande novidade do Galo nos onze iniciais. Assim, o Atlético iniciou o clássico com Victor; Guga, Igor Rabello, Gabriel e Guilherme Arana; Jair, Allan, Nathan, Rómulo Otero e Savarino; Ricardo Oliveira. Já na Raposa e com os desfalque de Léo, além do volante Filipe Machado, suspenso, o técnico Adílson Batista precisou improvisar o jovem zagueiro Edu, no meio de campo, e dar uma nova chance a Arthur, na zaga. Uma novidade do Cruzeiro para o jogo entre os relacionados foi o meio-campista Robinho, que recuperou-se de uma lesão sofrida na reta final do Brasileiro de 2019 e está disponível ao time para a sequência da atual temporada. Desta forma, o time celeste começou o duelo com Fábio; Edílson, Cacá, Arthur e João Lucas; Edu, Pedro Bicalho e Jadsom; Maurício, Everton Felipe e Marcelo Moreno.

Com 90% dos torcedores atleticanos nas arquibancadas e 10% dos cruzeirenses nos assentos do Mineirão, uma vez que o mando de campo pertenceu desta vez ao Atlético, o Gigante da Pampulha recebeu o seu melhor público da temporada 2020 até então com um total de 53 mil pagantes no estádio. Devido ao rebaixamento da Raposa, a torcida do Galo não perdeu a oportunidade no primeiro encontro entre ambos depois da queda celeste no Campeonato Brasileiro e provocou efusivamente o seu arquirrival antes, durante e depois do clássico, seja nas arquibancadas ou do lado de fora do Mineirão. No primeiro tiro de meta e demais cobrados por Fábio, a torcida atleticana gritava “Fala, Zezé”, em alusão às mensagens vazadas do ex-jogador do Cruzeiro, Thiago Neves, ao ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, no ano passado, durante à intensa crise cruzeirense.

No primeiro tempo de bola rolando, a primeira chance de gol da partida foi do Cruzeiro, mas não aproveitada. Em cobrança de falta pela intermediária, Maurício rolou a bola para Edílson e o lateral direito cruzeirense pegou mal na pelota, sem direção da meta defendida por Victor. Depois, o Atlético respondeu com o lateral esquerdo Guilherme Arana, o qual também não conseguiu aproveitar cruzamento pela esquerda da grande área e chutou de maneira torta para fora. A partir desse lance, o Galo passava a controlar as ações da partida com posse de bola, passes de um lado para o outro e busca por uma brecha no sistema defensivo celeste. Mais recuado no campo de defesa, o Cruzeiro tentava fechar os espaços e apostava sair para o sistema ofensivo na base do contra-ataque. A terceira oportunidade de gol na primeira etapa, assim sendo, foi do Atlético com Otero em cobrança de falta. Em dois tempos, Fábio defendeu e assegurava o placar empatado em 0 a 0.

Mais presente no ataque, o Galo buscava de qualquer forma o gol e a rede não foi balançada porque Fábio executou outra excelente defesa. Em jogada rápida pelo lado direito do sistema ofensivo, Savarino foi acionado pela direita e arrematou rasante. Com a ponta dos dedos, o arqueiro cruzeirense salvou a Raposa e a pressão do Atlético aumentava substancialmente no clássico. Mas o Cruzeiro não estava morto e devolveu na mesma moeda uma ocasião de perigo contra a meta de Victor. Após cruzamento pela esquerda de João Lucas, Marcelo Moreno subiu mais alto que a defesa alvinegra e cabeçou com muito estilo. Atento, o goleiro atleticano precisou se esforçar bastante para defender e evitar o primeiro tento da Raposa. Aos 37 minutos, o Galo ganhou escanteio pelo lado esquerdo e a expectativa da torcida atleticana cresceu nas arquibancadas com Rómulo Otero na bola. Na tentativa, o venezuelano cobrou à meia altura e Igor Rabello, posicionado na primeira trave, apareceu e desviou de calcanhar, com extrema categoria, para abrir o placar no jogo e levar os torcedores do Galo à loucura: 1 a 0.

Igor Rabello abre o placar na partida com belo gol de calcanhar. Foto: Bruno Cantini/Atlético

Após o primeiro gol, segundo de Igor Rabello vestindo a camisa do Atlético desde que chegou ao clube, em janeiro do ano passado, o Galo encurralava ainda mais o Cruzeiro e acreditava que o marcador pudesse ser ampliado. Aos 42 minutos e em outra ocasião de gol construída pelo Atlético, Ricardo Oliveira fez jogada individual pela entrada da área e finalizou firme, com o pé esquerdo. Fábio, mais uma vez bastante atento, defendeu em dois tempos e assegurou a vitória parcial com apenas um gol em vantagem por parte dos atleticanos. No retorno para o segundo tempo, o técnico Adílson Batista modificou à sua equipe e substituiu Pedro Bicalho por Jhonata Robert em busca de maior poderio ofensivo celeste na tentativa de igualar o resultado da partida.

Raposa valente e Otero brilha

O Cruzeiro foi outra equipe na segunda etapa e teve uma postura bastante aguerrida diante do Atlético em relação ao primeiro tempo. Porém, a primeira chance da etapa complementar saiu dos pés de um jogador que insistia, como de costume, em tentativas de finalizações de fora da área. Em nova oportunidade de tiro livre, Otero fez Fábio trabalhar novamente e o arqueiro celeste executou bela defesa para salvar a Raposa. Depois dessa tentativa, o time celeste mudou o seu posicionamento em campo e passou a atacar veementemente o Atlético, principalmente com Marcelo Moreno, que ofereceu bastante trabalho à defesa do Galo com muita determinação, luta e tentativas de arremates pelo Cruzeiro no ataque. Percebendo a confiança dos seus atletas no gramado, Adílson Batista fez uma nova alteração em sua equipe e substituiu o principal destaque da Raposa na atual temporada até então, Maurício, para a entrada do jovem atacante Thiago.

Thiago deixa tudo igual no Mineirão depois de ótimo cabeceio. Foto: Gustavo Aleixo

Aos 21 minutos do segundo tempo, a pressão do Cruzeiro sobre o Atlético premiou a dedicação e coragem cruzeirense. Depois de cruzamento de Edílson pela direita, Thiago, que havia acabado de entrar, antecipou-se diante da defesa atleticana e cabeceou com inteligência, no canto esquerdo do goleiro Victor, que tentou buscar e não achou a bola: 1 a 1 e festa da minoria nas arquibancadas do Mineirão. Esse foi mais um tento de Thiago pelo profissional do Cruzeiro e o gol do atacante obrigou ao técnico interino do Galo, James Freitas, a mexer em sua equipe em busca de não sair mais uma vez de campo pelo Campeonato Mineiro com um empate no placar. Primeiro, o treinador colocou Cazares na vaga de Savarino, esse que teve ótima atuação e, em seguida, Diego Tardelli fez a sua reestreia pelo Atlético entrando no lugar de Ricardo Oliveira. As mudanças, em princípio, não fizeram com que o comportamento do Galo mudasse na etapa final e o Cruzeiro seguia como o time mais perigoso. Prova disso foi quando Edílson cobrou falta ‘venenosa’ pela esquerda e Victor, no reflexo, evitou que a Raposa virasse o placar em bela defesa.

O tempo foi passando e o nervosismo começava a tomar conta por parte da torcida do Atlético nas arquibancadas pela pouca produtividade alvinegra no segundo tempo. Jorge Sampaoli, novo treinador do Galo, deixou o camarote onde acompanhou o clássico antes mesmo de o jogo acabar mal sabia que algo viria a ocorrer no final do confronto. Aos 40 minutos, tanto James Freitas quanto Adílson Batista fizeram as suas últimas alterações na partida – no Galo, Marquinhos entrou no lugar de Allan e, na Raposa, Jean fez a sua estreia um dia após ter sido apresentado pelo clube na vaga de Edu. Dessas modificações, uma acabou sendo crucial para o desfecho da partida. Quando parecia que o clássico terminaria mais uma vez empatado depois de um placar de 0 a 0 em novembro passado, pelo Campeonato Brasileiro, Marquinhos foi acionado em velocidade pela esquerda do ataque, dominou a bola e de maneira inteligente, aguardou a aproximação de Otero, que acompanhava a jogada.

Otero comemora golaço e que definiu a vitória do Galo no clássico.
Foto: Bruno Cantini/Atlético

Desta vez e depois de várias tentativas, Rómulo Otero acertou chute de rara felicidade e a bola foi como um ‘foguete’ estufando o ângulo direito do gol de Fábio, que pulou apenas para aparecer na foto. Golaço do venezuelano e vitória atleticana para lavar a alma no Mineirão. Na comemoração do belo gol, Otero tirou a camisa e acabou sendo expulso no fim da partida. Com o triunfo, o Atlético inicia a nova semana com uma tranquilidade não vista recentemente na Cidade do Galo e voltará a campo apenas no próximo sábado, às 19h, contra o Villa Nova, em Nova Lima, na estreia de Sampaoli. Por outro lado, o Cruzeiro precisará esquecer rapidamente o revés no clássico, uma vez que na quarta-feira, no Mineirão, a Raposa receberá a visita do CRB, às 21h30, pela partida de ida da terceira fase da Copa do Brasil. Pelo Campeonato Mineiro, o próximo confronto do Cruzeiro, em contrapartida, será no domingo que vem, diante do Coimbra, às 16h, também no Gigante da Pampulha.