Fábio volta a ser decisivo e ajuda Cruzeiro a classificar nos pênaltis na Copa do Brasil

Goleiro e ídolo celeste defende penalidade e jovem Maurício converte com sorte última cobrança para garantir a Raposa na terceira fase da Copa do Brasil 2020

Na semana que Rafael foi para o Atlético, Fábio voltou a se destacar pelo Cruzeiro.
Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

Desde o rebaixamento para a segunda divisão do futebol brasileiro, tudo vem sendo sofrido, suado e com muito esforço por parte do Cruzeiro. Apesar de imensas barreiras ainda a serem superadas, a Raposa caminha de passos curtos e na busca pela sua dura reconstrução após um início de 2020 custoso em todos os aspectos. Na noite da última quarta-feira, o time cruzeirense entrou em campo pela segunda fase da Copa do Brasil diante do Boa Esporte e precisava de uma vitória nos 90 minutos para classificar de forma direta à próxima fase da máxima competição milionária do Brasil, e a qual o Cruzeiro segue como o maior detentor de títulos com seis taças na história. Porém, a Raposa voltou empatar pelo torneio, assim como na primeira fase contra o São Raimundo-RR, e ficou no placar de 1 a 1 diante da equipe de Varginha no tempo regulamentar. Com o resultado igual, a decisão pela vaga foi decidida nos pênaltis e o Cruzeiro, contando novamente com a estrela e salvação de Fábio – que no último domingo defendeu um pênalti no final do jogo contra o Uberlândia – superou o Boa Esporte nas penalidades máximas por 5 a 4 e garantiu, além da heroica classificação, uma premiação de R$ 1,5 milhão nos seus cofres. Na terceira fase, a Raposa vai encarar o CRB, de Alagoas, que eliminou também nos pênaltis o Paysandu.

Boa Esporte e Cruzeiro se enfrentaram somente pela 11ª vez na história do futebol e essa foi a primeira partida entre os dois clubes por uma competição nacional – antes de a bola rolar no Sul de Minas Gerais na noite da última quarta-feira, eram 9 vitórias da Raposa e 1 empate em duelos pelo Campeonato Mineiro. Neste ano, as duas equipes mediram forças pela primeira rodada do Estadual, e o Cruzeiro levou a melhor ao vencer pelo placar de 2 a 0, no Mineirão. Em uma nova situação e na casa do adversário, o time comandado pelo técnico Adílson Batista sabia que não iria encontrar vida tranquila em Varginha, principalmente pelo regulamento da segunda fase da Copa do Brasil. Com a necessidade pela vitória obrigatória, o Cruzeiro teve alterações em sua equipe titular em relação ao triunfo do último domingo diante do Uberlândia, em Belo Horizonte. As mudanças aconteceram em alguns setores, como a volta de Edílson pela lateral direita na vaga de Valdir; o retorno de Cacá na zaga no lugar de Arthur; e uma nova oportunidade ao atacante Thiago, que entrou na vaga do volante Pedro Bicalho.

Desta forma, a Raposa teve em seus onze iniciais Fábio; Edílson, Cacá, Léo e João Lucas; Filipe Machado, Jadsom, Maurício e Everton Felipe; Thiago e Marcelo Moreno. Por outro lado, o Boa Esporte, que faz campanha ruim no Campeonato Mineiro amargando a nona colocação e próximo da zona de rebaixamento, foi escalado pelo técnico Nedo Xavier com Renan Rocha; Yuri, Wesley, Henrique Moura e Ferreira; Caio Cesar, Claudeci, Carlinhos e Cesinha; Gindré e Jefferson. Na prática, tanto Boa Esporte quanto Cruzeiro começaram a partida com muita correria e congestionamento no meio de campo pela busca da maior posse de bola e construção de jogadas ofensivas no ataque. A primeira chance do jogo foi do time anfitrião, quando Cesinha, camisa 10 do Boa Esporte, recebeu a bola pela entrada da área e chutou rasteiro, com o pé canhoto. Bem posicionado, Fábio defendeu com tranquilidade.

Três minutos após o ataque do Boa Esporte, o Cruzeiro respondeu imediatamente e obrigou o goleiro Renan Rocha a trabalhar. Em roubada de bola inteligente de Marcelo Moreno na saída de bola da equipe anfitriã, o boliviano acionou seu companheiro de ataque, Thiago, o qual avançou com a bola em velocidade e finalizou rasante. Com o braço direito, o arqueiro anfitrião fez ótima defesa e salvou sua equipe. Aos 16 minutos, a Raposa voltou a incomodar o Boa Esporte depois que Everton Felipe executou jogada individual pela ponta esquerda, deixou a marcação oponente grogue e cruzou na área. De cabeça, Thiago subiu alto, testou sobre o travessão do Boa Esporte e quase marcou o gol. Insistente no ataque, mas com dificuldades de balançar a rede com a bola rolando, o time celeste estufou o barbante do adversário através de um tiro livre. Aos 36 minutos, Filipe Machado cobrou escanteio fechado pelo lado esquerdo e João Lucas, posicionado na primeira trave, antecipou-se sobre a zaga do Boa Esporte para desviar e abrir o placar na partida: 1 a 0 Cruzeiro.

Marcelo Moreno fez a sua segunda partida pelo Cruzeiro em seu retorno ao clube.
Foto: Douglas Magno/Light Press/Cruzeiro

Em vantagem no marcador, a equipe cruzeirense não voltou com a mesma ocupação ofensiva na segunda etapa e tal atitude atraiu o Boa Esporte. Prova disso, aos 13 minutos do segundo tempo, o time anfitrião deixou tudo igual na partida. Depois de sucessivas chegadas ao ataque, o volante Claudeci aproveitou sobra na grande área e arrematou rasteiro, com o pé direito e sem chances de defesa para Fábio: 1 a 1. O empate do Boa Esporte deu uma motivação maior aos jogadores da casa e a Raposa passava a ter maiores dificuldades, sobretudo, para chegar ao sistema ofensivo com objetividade e precisão. Sendo assim, o Boa Esporte tentava virar a partida na base do abafa, mas o Cruzeiro conseguia segurar as investidas do time de Varginha. Os dois treinadores resolveram promover alterações e Adílson Batista, por exemplo, colocou em campo o meia Marco Antônio e o atacante Jhonata Robert nas vagas de Thiago e Marcelo Moreno, respectivamente, esse último que pediu para sair alegando cansaço físico.

As mudanças no Cruzeiro não surtiram efeito e o time celeste não conseguia ser efetivo em algumas idas ao ataque na tentativa de desempatar o marcador em mais uma atuação coletiva sem brilho da equipe cruzeirense em 2020. O tempo passou e a decisão para a vaga à terceira fase da Copa do Brasil acabou sendo decidida nos pênaltis com o empate no fim. Nas cobranças, Edílson, Filipe Machado, Everton Felipe, Léo e Maurício converteram para a Raposa, diferentemente de Marco Antônio, que isolou a cobrança pelo Cruzeiro. Porém, Yuri, com direito à defesa de Fábio e Ferreira, o qual chutou para fora, perderam pelo Boa Esporte e o Cruzeiro classificou-se. Agora, Cruzeiro e Boa Esporte voltam a pensar na disputa do Campeonato Mineiro. Neste sábado, às 19h, no Mineirão, a Raposa encara o Galo no primeiro clássico entre os dois arquirrivais na atual temporada pela abertura da oitava rodada do Estadual. Por outro lado, o Boa Esporte vai jogar também em Belo Horizonte, mas no domingo e diante do líder do Campeonato Mineiro, América, às 16h, na Arena Independência.