Atlético vence no Horto, mas é eliminado de forma precoce na primeira fase da Sul-Americana 2020

Galo faz primeiro tempo convincente em BH, porém, resultado acaba não ajudando para avançar no torneio mais desejado pelo clube nesta temporada

Di Santo (D) ganhou nova oportunidade no ataque do Atlético. Foto: Conmebol

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

O Galo mal começou a temporada 2020 e não terá para o decorrer do ano uma competição a qual era considerada a maior prioridade do clube em busca de voltar a conquistar um título após três temporadas seguidas em falta, além de uma vaga direta à Libertadores de 2021. Na noite da última quinta-feira, o Atlético tinha uma missão altamente difícil em Belo Horizonte depois de ter perdido o duelo de ida, na Argentina, pelo placar de 3 a 0. Para avançar à segunda fase da Sul-Americana, o Galo necessitava, diante do Unión de Santa Fé, de pelo menos uma goleada por quatro ou mais gols de diferença para classificar de maneira direta – já um resultado por 3 a 0, levaria à decisão para os pênaltis. No entanto, o time comandado pelo técnico venezuelano, Rafael Dudamel, conseguiu somente uma vitória pelo placar 2 a 0, com mais de 16 mil pessoas no Horto, e está eliminado precocemente do torneio sul-americano para frustração da torcida alvinegra, dos jogadores, da comissão técnica e da diretoria atleticana.

Em busca de uma reviravolta no agregado para tentar escrever uma nova história no livro de milagres do Atlético, Dudamel inovou em sua escalação e escalou o Galo cheio de novidades entre os titulares e um esquema tático antes ainda não utilizado pelo treinador na atual temporada. Com três zagueiros, o Atlético começou a partida com Michael; Igor Rabello, Réver e Gabriel; Guga, Jair, Nathan, Rómulo Otero, Hyoran e Guilherme Arana; Di Santo. Desses jogadores, o único que ainda não havia atuado vestindo a camisa alvinegra nesta temporada era o lateral direito Guga, o qual estava sob a serviço da Seleção Brasileira Sub-23, no Torneio Pré Olímpico realizado entre janeiro a fevereiro, na Colômbia. Com essas alterações, o Galo mudou a sua forma de jogar, sobretudo, no primeiro tempo.

Logo nos primeiros movimentos de partida, o time atleticano partiu para o ataque e encurralava o Unión de Santa Fé, que teve em sua escalação uma equipe mais reativa em relação ao grande triunfo na partida de ida, na Argentina, no dia 6 de fevereiro. Com troca rápida de passes, muita movimentação e uma aposta maior nas finalizações com Otero em campo, o Atlético teve inicialmente oportunidades de abrir o placar no embate para tentar ficar próximo da difícil missão na Arena Independência. Mas foi aos 16 minutos do primeiro tempo, que o coelho foi tirado da cartola. Em cobrança de falta pela esquerda e de longa distância, Otero acertou uma finalização incrível, perfeita e com muita curva, superando o goleiro adversário e levando as arquibancadas do Horto à loucura com um tento antológico: 1 a 0 Galo e esperança de uma virada no agregado mantida.

O belo gol de falta marcado por Rómulo Otero foi o primeiro do venezuelano na atual temporada e mais um em sua trajetória no Galo em cobranças de tiro livre. Após a euforia, o Atlético seguia melhor e dominando as ações da partida diante de um oponente aparentemente perdido com a pressão alvinegra em Belo Horizonte. Algo que comprovou a desorganização do Unión de Santa Fé no primeiro tempo foi quando aos 29 minutos da primeira etapa, o zagueiro e capitão do Atlético, Réver, acabou sendo obstruído na pequena área e o árbitro da partida marcou pênalti. Na cobrança e com extrema responsabilidade, Hyoran converteu de maneira eficiente e aumentou a contagem alvinegra para 2 a 0 crescendo a esperança da torcida atleticana pela classificação. O placar poderia ter sido ainda maior quando na reta final do primeiro tempo, o meia Nathan desperdiçou uma chance inacreditável para desespero anfitrião no estádio.

No segundo tempo, o Atlético tinha a tarefa de chegar ao terceiro tento para pelo menos provocar uma disputa de pênaltis pela vaga à próxima fase da Sul-Americana. Porém, o Unión de Santa Fé começou a dificultar a vida do Galo e passava a segurar o resultado parcial, principalmente com a queda física do time alvinegro no confronto. Para atrapalhar os planos do Atlético, o técnico Rafael Dudamel perdeu Réver, lesionado, e substituiu o capitão por outro zagueiro, Iago Maidana. Depois dessa substituição, também entraram no Galo o meio-campista Marquinhos na vaga de Otero, e o atacante Ricardo Oliveira no lugar de Guga. O tempo foi passando e a tensão atleticana também aumentava consideravelmente pela obrigação de fazer mais um gol visando os pênaltis na luta por uma heroica classificação.

O terceiro gol quase aconteceu na etapa final depois que Hyoran, destaque do Atlético no jogo, arriscou arremate potente de fora da área e o goleiro Moyano espalmou para escanteio. Mas tal feito histórico não aconteceu para o Galo, que cai pela sexta vez na história na primeira fase em nove participações na Sul-Americana e ainda aumenta a lista de brasileiros eliminados nesta primeira fase da atual competição juntando-se ao Fluminense – até então, restam ainda Vasco, Bahia, Fortaleza e Goiás. Agora e fora da Sul-Americana, o Atlético volta a focar em outro torneio de mata-mata e importante para o clube nesta temporada – caso da Copa do Brasil, quando na próxima quarta-feira a equipe do Galo encara pela segunda fase o Afogados, às 21h30, no Estado do Pernambuco. Já pelo Campeonato Mineiro, competição a qual o Atlético começou com a ‘obrigação’ pelo título, o time alvinegro e atualmente quarto colocado, com 11 pontos ganhos, só volta a entrar em campo no dia 1º de março, diante do Boa Esporte, em Varginha. Por outro lado e precisando de reabilitação no Campeonato Argentino, o Unión de Santa Fé recebe em casa o Central Córdoba, nesta segunda-feira, mas retorna ao seu país cantando em clima de Carnaval.