Funcionário que representa mascote do Galo nos jogos é afastado do clube por machismo no Mineirão

Durante apresentação de Diego Tardelli no gramado, homem que veste personagem assedia jogadora do time feminino do Atlético e causa repercussão nacional

Galo Doido tem no estádio a tarefa de agitar à torcida do Atlético nas partidas do clube.
Foto: Bruno Cantini/Atlético

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

O domingo, 16 de fevereiro de 2020, tinha tudo para terminar em grande festa e estilo por parte do Atlético e seus torcedores com a apresentação oficial de Diego Tardelli, no Mineirão, retorno de Victor ao gol e novos contratados em campo, além da própria partida diante da Caldense que manteria o Galo na liderança do Campeonato Mineiro em caso de vitória. Porém, tudo deu errado para o Atlético, que perdeu pelo placar de 2 a 1 e foi vaiado pela sua torcida. Mas para piorar, até o mascote do clube nos jogos – o famoso Galo Doido – envolveu-se em uma grande polêmica que gerou ao funcionário, o qual representa o personagem, um afastamento imediato da instituição. Durante a apresentação de Tardelli, no intervalo da partida, o novo reforço atleticano para a atual temporada foi acompanhado pelo Galo Doido e pela equipe de futebol feminino do Atlético, que também apresentou-se oficialmente à torcida para a disputa do Brasileirão Feminino Série A2 neste ano. Porém, durante as apresentações tanto de Diego Tardelli quanto da equipe feminina, o Galo Doido foi em direção à jogadora do Atlético, Vitória Calhau, no meio de campo, e fez uma ‘rodadinha’ com a atleta em frente à presença de Tardelli e das demais jogadoras. Além disso, depois do ato e de costas para a atleta, o Galo Doido ainda realizou gestos esfregando as mãos dando a interpretação de que gostou da mulher jogadora atleticana.

Após o término do jogo, imagens da atitude machista do personagem circularam na internet causando em grande parte das pessoas muito alvoroço e, nesta segunda-feira, o Atlético se pronunciou por meio de suas redes sociais. “Sobre o episódio ocorrido na tarde de ontem (domingo), envolvendo a atleta Vitória Calhau, o Atlético lamenta e repudia o comportamento do funcionário, que foi sumariamente afastado. Pedimos desculpas à atleta, às demais jogadoras e a todas as torcedoras e torcedores pelo lamentável ato”, disse o clube através de uma nota. A identidade do funcionário que agora não representa mais o Galo Doido não foi divulgada pelo Atlético, e o clube deve colocar uma outra pessoa para ocupar o posto tradicionalmente visto nas partidas do Galo, em Belo Horizonte.

Além de buscar agitar a torcida do Atlético antes, durante e depois dos jogos, a figura do Galo Doido tem, historicamente, a função também de participar de campanhas de interesse social e realizar visitas a escolas públicas, hospitais e instituições beneficentes. Tal episódio é consequentemente bastante negativo ao clube, além para o personagem, em meio a inúmeras campanhas no Brasil no combate ao machismo e assédio às mulheres nas ruas, nos estádios ou em qualquer lugar. O Galo Doido sempre foi tratado pela torcida do Atlético e crianças como um atrativo a mais nas partidas do clube, seja no Mineirão ou Independência, por sua vibração, carisma e maneira de incentivar a festa nas arquibancadas.

Momento que o Galo Doido olha para a jogadora Vitória Calhau, ao lado esquerdo de Tardelli. Foto: Bruno Cantini/Atlético