Em dia de apresentação de Tardelli, retorno de Victor e volta ao Mineirão, Galo perde

Atlético dá vexame diante da sua torcida, conhece o seu primeiro revés no Campeonato Mineiro e perde a liderança da competição; festa ficou mesmo por conta da presença de Diego Tardelli

Diego Tardelli festeja com os torcedores do Atlético no estádio em sua volta ao clube.
Foto: Bruno Cantini/Atlético.

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

O dia 16 de fevereiro de 2020 não era de um título histórico do Atlético, mas tinha tudo para ser bastante comemorado pela sua torcida por tudo que envolvia a tarde deste domingo, em Belo Horizonte. Com a partida marcada contra a Caldense, pela sexta rodada do Campeonato Mineiro e no retorno do Galo ao Mineirão, o Atlético aproveitou e realizou antes do jogo a apresentação oficial do atacante e ídolo do clube, Diego Tardelli, que vestiu a camisa de número 9 e concedeu uma entrevista coletiva no Gigante da Pampulha como o sétimo reforço atleticano para 2020. Anunciado oficialmente pelo presidente do Atlético, Sergio Sette Câmara, na última quarta-feira, Tardelli assinou um contrato de um ano com a possibilidade de renovação automática por mais uma temporada com o Galo em caso de metas cumpridas no primeiro vínculo nesta sua terceira passagem pelo alvinegro de Minas Gerais.

Com uma história consolidada no Atlético ao ter conquistado até então um total de cinco títulos, Diego Tardelli, aos 34 anos, chega ao clube em uma nova etapa da carreira e também da instituição. Vindo de uma passagem apagada pelo Grêmio, em 2019, Tardelli buscará reencontrar em sua antiga casa o seu futebol de alto nível para ajudar também o Galo a retomar o caminho dos títulos, algo que não vem acontecendo nos últimos anos desde 2017, quando o clube venceu o Campeonato Mineiro. Nesta ocasião e além da tentativa por novos títulos, Tardelli tem o desafio buscar superar os seus antigos números atuando pelo Atlético em relação as duas primeiras passagens pela Cidade do Galo para tentar colocar fim nos atuais problemas ofensivos do atual time atleticano.

Ao todo, Diego Tardelli contabiliza até o momento 219 jogos vestindo a camisa atleticana e um total de 110 gols anotados, sendo o 15º na lista dos maiores artilheiros da história do Atlético e podendo ainda subir bastante de colocação nesta contagem em caso de novo sucesso. Em 2009, quando chegou ao Galo pela primeira vez, Tardelli balançou as redes em 42 oportunidades e foi o artilheiro do Atlético, do Campeonato Mineiro, do Campeonato Brasileiro e do Brasil naquele ano. Já em 2010, Tardelli conquistou o seu primeiro caneco pelo clube ao vencer o Estadual. Naquela temporada, foram 25 gols e uma identidade ainda mais forte com a torcida alvinegra. Depois, Diego Tardelli deixou o Atlético no fim de 2010 e retornou ao clube posteriormente em 2013 para carimbar a sua história na agremiação com os títulos da Libertadores e do Campeonato Mineiro. No ano seguinte, em 2014, Tardelli voltou a ser decisivo e conduziu o Galo na conquista da Copa do Brasil, sobre o arquirrival Cruzeiro, além do título da Recopa Sul-Americana diante do Lanús. Nesses anos, foram 18 gols feitos na temporada 2013 e também em 2014.

Depois de atender à imprensa antes da partida contra a Caldense, Diego Tardelli foi apresentado oficialmente à torcida durante o intervalo do jogo no gramado do Mineirão, que saudaram o jogador com muitos cânticos e incentivo. Neste elenco do Atlético, Tardelli encontra dois concorrentes diretos e experientes por lugar no ataque titular alvinegro: Ricardo Oliveira e Franco Di Santo. Porém, com status de principal contratação para a temporada e pelo que representa ao clube, Diego Tardelli tem vaga cativa como novo centroavante entre os onze iniciais do técnico Rafael Dudamel e os demais que busquem espaço. Enquanto a forma física ainda não é a ideal, a data de estreia de Tardelli é incerta até o momento e, o próprio jogador, prefere não fazer uma previsão. A possibilidade, contudo, é que Diego Tardelli entre em campo de forma oficial justamente no clássico contra o Cruzeiro, no dia 7 de março, no Mineirão, às 16h30, pela oitava rodada do Campeonato Mineiro.

Nova derrota no ano

Pressionado após revés feio pela Sul-Americana, diante do Unión de Santa Fé, na Argentina, e empate sem gols contra o Campinense, pela primeira fase da Copa do Brasil, em Campina Grande-PB, o Atlético tinha antes do apito inicial no Gigante da Pampulha perante a Caldense a obrigação de vencer o duelo, apesar da ótima campanha do time de Poços de Caldas lutando pela ponta do Campeonato Mineiro 2020. Em busca de mudar o comportamento da equipe em relação aos últimos jogos longe de Belo Horizonte, Dudamel realizou algumas mudanças na equipe e promoveu estreias na temporada. A primeira delas foi o retorno do goleiro Victor, o qual não havia ainda atuado neste ano devido a condicionamento físico. A última partida de Victor pelo Galo tinha sido no fim do ano passado, contra o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro, e desde então o jovem arqueiro Michael vinha sendo titular com a saída de Cleiton.

Desta forma, começaram a partida pelo Atlético Victor; Patric, Igor Rabello, Gabriel e Guilherme Arana; Zé Welison, Jair, Nathan, Hyoran e Marquinhos; Ricardo Oliveira. Desse atletas, além da aparição de Victor, o lateral esquerdo Guilherme Arana foi outra novidade ao atuar pela primeira vez como titular do time alvinegro desde à chegada ao clube nas últimas semanas – Fábio Santos, titular da posição, nem sequer foi relacionado, assim como o zagueiro Réver e o volante Allan. Também foi novidade no time titular do Galo diante da Caldense o meia Nathan e o veterano atacante Ricardo Oliveira, esse que agora veste a camisa de número 99 devido a contratação de Tardelli. Em seu caso, Ricardo Oliveira entrou no lugar do argentino Di Santo, o qual não vem convencendo neste começo de temporada.

Dentro das quatro linhas, o Atlético viu desde os primeiros minutos que não teria tarefa fácil contra a Caldense, que começou assustando a torcida do Galo e Diego Tardelli nas arquibancadas. Aos quatro minutos, Artur cobrou falta de longa distância e obrigou Victor a trabalhar firme para evitar o primeiro gol visitante. Quatro minutos após chegada da Caldense, o Atlético devolveu na mesma moeda lance de perigo em rápida jogada de ataque, que começou com cruzamento rasante de Patric pela direita e terminou em finalização de Nathan, dentro da pequena área e sobre o travessão do goleiro da Caldense, Alysson. O primeiro lance de ataque atleticano animou o time em campo e outra ocasião de gol foi criada na sequência, desta vez com Patric, que arriscou chute forte pela direita da grande área. Bastante atento, o arqueiro adversário espalmou para escanteio e salvou a Caldense.

Jogadores da Caldense celebram gol e triunfo em pleno Mineirão. Foto: Caldense

O embate bastante corrido e frenético entre Atlético e Caldense dava indícios que o primeiro gol da partida não demoraria tanto com as duas equipes dispostas a atacar a todo momento. Aos 18 minutos do primeiro tempo, o time visitante aproveitou a defesa desarrumada do Galo e encaixou contragolpe rápido. Com somente o meio-campista Marquinhos na zaga, o qual cobria o sistema defensivo após cobrança de escanteio do Atlético anteriormente, o jovem meia vacilou na marcação e conseguiu parar João Victor, da Caldense, apenas cometendo pênalti. Cabia a Victor, goleiro do Galo, voltar com estilo e evitar que o placar fosse aberto no Gigante da Pampulha, algo que não aconteceu. Com categoria, Filipe Sousa cobrou a penalidade sem defesa para o arqueiro atleticano e abriu o marcador para vaias da torcida alvinegra nas arquibancadas.

Após sofrer o primeiro tento, o Atlético ficou visivelmente abalado na partida e pouco conseguiu reagir na primeira etapa. No retorno para o segundo tempo, o Galo ganhou ‘sangue novo’ e partiu para cima da Caldense, mas encontrava um sistema defensivo adversário bastante fechado e sólido, algo que dificultava as investidas alvinegras pela grande área. Porém, uma alterativa para o Atlético buscar empatar o duelo foi a bola aérea e na cabeça de um zagueiro que ainda não tinha balançado as redes desde quando chegou ao clube, no início de 2019. Em cobrança de escanteio pela esquerda, Igor Rabello apareceu na primeira trave, subiu no segundo andar e desviou de cabeça para igualar o confronto. O gol foi bastante comemorado pelo zagueiro, que anotou pela primeira vez vestindo a camisa atleticana. Depois disso, parecia que o empate daria ao Galo um pouco de tranquilidade almejando a virada no placar, mas a Caldense seguia forte e resistente para segurar pelo menos um ponto em BH.

Na tentativa de explorar a bola aérea e as cobranças de falta, Rafael Dudamel fez três alterações no Atlético e promoveu mais estreias na temporada 2020. Primeiro, ele substituiu o meia Nathan pelo atacante Di Santo. Depois, entraram o venezuelano Rómulo Otero, que debutou pela primeira vez neste ano, na vaga de Ricardo Oliveira, além de outro venezuelano e recém-contratado pelo clube, Jefferson Savarino, no lugar de Hyoran. Das mudanças, a mais explorada foi a entrada de Otero, que tentou em três ocasiões em cobranças de faltas virar o placar para o Galo e não conseguiu. Bastante exposto na etapa complementar, o Atlético se mandava ao ataque e deixava espaços na defesa. E bastou um vacilo, para tudo vir por água abaixo no Mineirão. Depois de bola perdida pelo volante Zé Welison no campo ofensivo, a Caldense arrumou um belo contra-ataque, aos 44 minutos, para ficar à frente no mais uma vez placar e voltar a vencer o Atlético em Belo Horizonte depois de anos.

Foi quando Marco Damasceno disparou pela esquerda, invadiu a área atleticana e tocou para João Victor pela direita. Pacientemente, o atacante visitante dominou a bola com tranquilidade, escolheu o canto e arrematou de pé canhoto sem chances para Victor: 2 a 1 Caldense e vaias em peso da torcida do Atlético nos assentos do estádio, principalmente ao volante Zé Welison. Nos acréscimos, o Galo tentava de qualquer maneira empatar novamente o jogo, mas faltava criatividade e a primeira derrota no Campeonato Mineiro 2020 foi conhecida pela Atlético, que permanece com 12 pontos e perde a liderança para a própria Caldense, a qual chega aos 13 pontos somados e figura momentaneamente na ponta da classificação à frente do novo vice-líder, Tombense. Agora, o Atlético esquece o Campeonato Mineiro e foca apenas no jogo de volta diante do Unión de Santa Fé, na próxima quinta-feira, às 21h30, no Independência, pela primeira fase da Sul-Americana. Para classificar de forma direta, o Galo precisa ganhar por quatro ou mais gols de diferença, uma vez que perdeu o primeiro confronto por 3 a 0. Por outro lado, a Caldense volta a entrar em campo somente no dia 1º de março, diante do Patrocinense, em Poços de Caldas.