Cruzeiro anuncia Marcelo Moreno, mas volta a jogar mal e arranca empate sofrido no interior de MG

Boliviano é aguardado nesta terça-feira em BH para assinar contrato e ser apresentado oficialmente; já time em campo se salva no último minuto de primeiro revés em 2020

Marcelo Moreno retorna ao Cruzeiro para tentar ajudar o clube no processo de reconstrução. Foto: Arquivo pessoal

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

O aguardado comunicado oficial por parte da torcida do Cruzeiro nos últimos dias aconteceu curiosamente durante o jogo da Raposa diante do Patrocinense, em Patrocínio, neste domingo, pela sexta rodada do Campeonato Mineiro 2020. Com uma vontade enorme de retornar à Toca II manifestada quase sempre pelas redes sociais, Marcelo Moreno deixou a China, acertou oficialmente a sua volta ao Cruzeiro e é aguardado em Belo Horizonte nesta terça-feira, dia que deve assinar contrato e depois ser apresentado pelo clube para a sua terceira passagem na carreira vestindo a camisa cruzeirense. Ídolo de grande parte da torcida celeste, Marcelo Moreno, aos 32 anos de idade, chega à Raposa depois de abrir mão de um grande contrato em vigor com seu ex-clube, Shijiazhuang Ever Bright, e aceitou o desafio de tentar ajudar o Cruzeiro em seu processo de reconstrução almejando o retorno à elite do futebol nacional nesta temporada, no momento mais difícil da história da instituição dentro de fora de campo.

Marcelo Moreno chegou pela primeira vez à Toca da Raposa II em 2007, temporada a qual atuou em 14 partidas e marcou seis gols. No ano seguinte, em 2008, Moreno adaptou-se mais ao clube e teve melhor performance, com 22 jogos disputados, 15 tentos feitos e o título do Campeonato Mineiro conquistado sendo um dos protagonistas. Após ótimas apresentações com a camisa cruzeirense, Marcelo Moreno acabou sendo negociado pela Raposa ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e só retornou ao clube no ano de 2014, quando carimbou o selo de ídolo nos títulos do Campeonato Brasileiro e do Campeonato Mineiro daquele ano. Naquela temporada, foram 57 partidas disputadas e 24 bolas nas redes. Agora, Marcelo Moreno chega com a mesma missão de outrora em ser, por exemplo, o goleador do Cruzeiro, sobretudo, com a carência atual da equipe no setor de ataque após as saídas dos atacantes Fred, Sassá, Pedro Rocha e David em relação ao elenco do ano passado que foi rebaixado à Série B do Brasileirão.

Nesta temporada, a Raposa reunia para o sistema ofensivo os atacantes Roberson, Jhonata Robert, Alexandre Jesus, Judivan, Welinton, Caio, Thiago e Vinícius Popó antes do anúncio oficial de Marcelo Moreno. Mas para repetir tal sucesso do passado na Raposa, Moreno vai precisar se readaptar ao futebol brasileiro e melhorar a sua sequência em relação à última temporada no futebol chinês, quando anotou oito gols em 13 partidas, pelo Shijiazhuang Ever Bright, clube da segunda divisão da China. Antes de jogar no Shijiazhuang Ever Bright, Marcelo Moreno atuou pelo Wuhan Zall, também do futebol chinês e marcou um total de 25 tentos, em 34 jogos. Já em seu primeiro clube na China, o Changchun Yatai, Marcelo Moreno fez 22 gols, em 53 jogos no total, sendo essa a sua melhor fase no futebol chinês desde que saiu da Raposa. Os valores da negociação e o tempo de contrato com o Cruzeiro ainda não foram informados até o fechamento desta reportagem, mas a estreia do novo atacante da Raposa para 2020 é aguardada inicialmente para março.

Maurício evita derrota

Enquanto o Cruzeiro anunciava de forma oficial Marcelo Moreno como a sexta contratação do time para a atual temporada, a Raposa fazia péssima atuação em Patrocínio, diante do Patrocinense. Jogo que Adílson Batista tinha a necessidade de melhorar o rendimento da equipe, sobretudo, após classificação suada na Copa do Brasil, contra o São Raimundo-RR, em duelo o qual a equipe celeste não teve apresentação positiva. Para buscar mudar tal contexto, o treinador cruzeirense não teve à disposição no interior de Minas Gerais o lateral direito Edílson, e um novo garoto foi escalado em 2020 no time profissional. Em relação ao jogo anterior, a novidade foram os volantes Jadsom, que não atuou em Roraime, além de Pedro Bicalho, o qual ganhou oportunidade nos onze iniciais do Cruzeiro. Desta forma, a Raposa enfrentou o Patrocinense com Fábio; Valdir, Léo, Cacá e João Lucas; Jadsom, Pedro Bicalho, Maurício e Éverton Felipe; Alexandre Jesus e Roberson.

Com uma atuação muito semelhante em relação ao confronto pela primeira fase da Copa do Brasil, o Cruzeiro voltou a ter sérias dificuldades na armação das jogadas e controle de jogo diante de um adversário que atuava em casa. A melhor oportunidade da Raposa no primeiro tempo foi quando o atacante Roberson recebeu lançamento em profundidade pela direita do ataque, mas chutou mal e desperdiçou chance importante à equipe celeste. Depois disso, o Patrocinense tomou conta da partida e criava sucessivas chances de abrir o placar no ataque, porém, também perdidas devido à falta de pontaria dos seus atacantes naquele momento. Mas quem não errou foi Paulo Renê que, aos 46 minutos, aproveitou persistência do seu companheiro Giba pelo lado esquerdo do ataque. Em cruzamento na área cruzeirense, Paulo Renê subiu livre de cabeça e testou firme para superar Fábio e abrir o placar: 1 a 0 Patrocinense.

Cruzeiro reclama de pênalti não marcado sobre Roberson pela zaga do Patrocinense.
Foto: Eder Terere/Light Press/Cruzeiro

No retorno para o segundo tempo, o Cruzeiro seguia com dificuldades de infiltração no sistema defensivo do Patrocinense, que jogava pelo resultado e ‘fechava a porta’. Quando partia para o ataque, entretanto, o Patrocinense era ainda mais perigoso em relação ao Cruzeiro e, aos 25 minutos, quase ampliou o marcador em chute perigoso de Alemão, assustando a meta de Fábio. Aos 29 minutos, o mesmo Paulo Renê e de cabeça, quase fez o segundo gol do Patrocinense no jogo em novo cabeceio, mas desta vez pela linha de fundo. O tempo passava na partida e o Cruzeiro não conseguia reagir, com passes ineficazes de um lado para o outro, pouca agressividade ofensiva parar furar o bloqueio anfitrião e outro gol perdido por Roberson. Na tentativa de alterar à postura da equipe em campo, Adílson Batista tirou Jadsom, Alexandre Jesus e Roberson para as entradas de Vinícius Popó, Marco Antônio e Welinton.

Quando os refletores do Estádio Pedro Alves do Nascimento estavam prestes a serem desligados, brilhou a estrela do meia Maurício, que decidiu novamente neste começo de temporada com gol para empatar o duelo e amenizar mais uma fraca atuação celeste em 2020. Aos 49 minutos, o camisa 11 aproveitou cruzamento de Welinton e escorou sutilmente para o fundo da rede, marcando o tento de empate e o seu quinto pelo profissional do clube: 1 a 1. Gol bastante comemorado pelo Cruzeiro, que manteve a invencibilidade na temporada mesmo caindo para a quinta posição e fora do G4 com 11 pontos, mas o qual pode assumir à liderança do Campeonato Mineiro na quinta-feira, quando enfrenta o Tombense, em Tombos, em partida adiada pela segunda rodada do Estadual devido às chuvas fortes em Minas Gerais, na ocasião. Por outro lado e apesar de ter cedido empate no último minuto de jogo, o Patrocinense faz boa campanha e figura na sexta colocação do Estadual, com oito pontos ganhos, e sonha em classificar às semifinais.