Cruzeiro empata em Boa Vista e vai encarar time mineiro na segunda fase da Copa do Brasil

Raposa chega a ficar à frente no placar, mas sofre empate na etapa final e segura resultado com sufoco para avançar à próxima fase e garantir dinheiro em caixa

Goleiro Fábio fez o jogo de número 878 com a camisa do Cruzeiro em Roraima.
Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Maior campeão da história da Copa do Brasil, o Cruzeiro estreou na competição a qual mais possui identificação na noite da última quinta-feira e diferentemente do acostumado em relação aos últimos anos, quando na maioria das vezes iniciou o torneio através das oitavas de final e, recentemente, tendo conquistado o bicampeonato do certame para seguir com a condição de máximo vencedor com seis taças no total. Diante do São Raimundo, em Roraima, a Raposa saiu atrás no placar, mas conseguiu virar o jogo que acabou terminando empatado em 2 a 2, no Estádio Flamarion Vasconcelos, pela primeira fase da Copa do Brasil 2020. Para avançar, o Cruzeiro necessitava somente de um empate devido ao regulamento por tratar-se de uma única partida e na casa do adversário. O resultado do time celeste repetiu, curiosamente, as classificações dos rivais Atlético e América, os quais também classificaram com empates e podem se enfrentarem em diante na competição. Mas a classificação do Cruzeiro, que figura agora na Chave 7, faz com que a equipe cruzeirense enfrente na segunda fase de quebra um clube de Minas Gerais, o qual também avançou na primeira fase através também de um empate – contra o Vilhenense, o Boa Esporte empatou em 1 a 1 e vai enfrentar o Cruzeiro em jogo único, na cidade de Varginha e com o critério do empate prevalecendo ainda à Raposa.

Assim como equipes tradicionais do futebol brasileiro, o Cruzeiro não encontrou duelo tranquilo em Boa Vista pela primeira fase da Copa do Brasil e precisou suar bastante para conseguir sair de campo com a classificação e mais de R$ 1 milhão no bolso. A responsabilidade dos jogadores que foram a campo também colocava em jogo a invencibilidade celeste na atual temporada, a qual o Cruzeiro permanece sem sofrer nenhuma derrota apesar de inúmeros problemas que o clube vem enfrentando desde o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro, em 2019, dentro e fora de campo. Até o momento de 2020, a Raposa venceu o próprio Boa Esporte, pela primeira rodada do Campeonato Mineiro, além de Villa Nova e Tupynambás. O único empate havia sido desde então no clássico com o América, no domingo passado, em 0 a 0, no Mineirão, que deixou o Cruzeiro na vice-liderança do Estadual com uma partida a menos em relação ao líder e arquirrival, Galo.

Com os desfalques dos atuais volantes titulares, Jadsom e Filipe Machado, o técnico Adílson Batista precisou modificar o seu time para enfrentar o São Raimundo e, ao mesmo tempo, buscar manter um equilíbrio na equipe em vista de uma partida perigosa devido aos fatores que envolvem um único duelo eliminatório. Nas vagas dos dois meio-campistas defensivos, entraram o zagueiro Edu, improvisado, e o volante Adriano. Começaram como titulares Fábio; Edílson, Léo, Cacá e João Lucas; Edu, Adriano, Maurício e Jhonata Robert; Alexandre Jesus e Roberson. Uma dessas alterações surtiu efeito no Cruzeiro e foi o personagem da partida em seu primeiro jogo como profissional pelo time celeste: Edu. Mas o jovem de 19 anos precisou de alguns minutos para entrar em ação, isto porque, a partida começou movimentada com o Cruzeiro coletivamente controlando as ações do jogo e buscando infiltrar no sistema defensivo anfitrião.

Logo aos 16 minutos do primeiro tempo, Roberson executou boa jogada pelo sistema ofensivo e encheu o pé direito para explodir o travessão do goleiro Éder, do São Raimundo. O lance de perigo animou os jogadores da Raposa, que seguiam atacando o seu adversário, o qual se resguardava na defesa e apostava nos contra-ataques. Cinco minutos após carimbar à trave do São Raimundo, o Cruzeiro voltou a perturbar a zaga oponente e o placar quase foi aberto por Jhonata Robert, que fez jogada bonita pela entrada da área e, com a perna esquerda, arrematou colocado tirando tinta do poste direito de Éder. As duas seguidas oportunidades construídas pelo Cruzeiro dava indícios que o marcador seria inaugurado em breve pelos mineiros, algo que veio ocorrer por outro lado. Aos 25 minutos e após cobrança de falta pela esquerda do ataque, o zagueiro do São Raimundo, Veracruz e em posição de impedimento, aproveitou a bola alçada seguida de um desvio com o braço de seu companheiro de equipe, para desviar no fundo da rede de Fábio: 1 a 0.

O gol do São Raimundo, que naquele instante era sucumbido pelo Cruzeiro, deu força aos anfitriões e a equipe belo-horizontina precisava correr atrás do prejuízo porque o resultado de 1 a 0 eliminaria a Raposa da Copa do Brasil. Quando o time da casa passava a dificultar a vida celeste, apareceu o personagem da partida. Aos 33 minutos da primeira etapa, Jhonata Robert cobrou escanteio ruim na área do São Raimundo, porém, o zagueiro e volante, Edu, aproveitou a sobra, girou com estilo sobre a marcação e estufou o barbante com forte finalização de perna direita para empatar o confronto. Esse foi o primeiro gol de Edu pelo profissional do Cruzeiro, em sua primeira partida. Após o empate, a tendência era que a Raposa voltasse com ainda mais apetite para o segundo tempo em busca da virada. Foi o que aconteceu e de maneira bonita. Aos quatro minutos da segunda etapa, Maurício puxou belo contragolpe para o Cruzeiro e acionou o atacante Judivan, que havia entrado no lugar de Jhonata Robet. Em jogada individual pela esquerda do ataque, Judivan driblou a zaga do São Raimundo e devolveu o passe para Maurício. Inteligentemente, o camisa 11 cruzeirense chutou cruzado e rasteiro com o pé canhoto, encontrando Alexandre Jesus, pela pequena área, que somente escorou para virar o jogo: 2 a 1 Cruzeiro e segundo tento de Alexandre Jesus, de 18 anos, pelo profissional do clube.

Cruzeiro jogou pela primeira vez com o novo uniforme número 2 neste ano.
Foto: Divulgação/Cruzeiro

A reviravolta no placar deixava mais próxima a classificação do Cruzeiro, mas o São Raimundo era valente e não desistia. Incentivado pela sua torcida com cânticos de “eu acredito”, o São Raimundo passava a arriscar nas quatro linhas e avançava ao ataque na tentativa de empatar o duelo. De tanto acreditar, aos 19 minutos, o lateral direito Alex executou ótimo cruzamento e na medida para o atacante Stanley, que chutou de primeira e com estilo, superando Fábio e anotando um golaço: 2 a 2. Em consequência de queda física e falta de mais qualidade técnica por parte da Raposa, o tento de empate do São Raimundo incendiou o jogo e o Cruzeiro passou a se segurar na defesa para conseguir manter o placar parcial que ainda o classificaria à segunda fase. Empolgado, os anfitriões atacavam sucessivamente à Raposa e a pressão provocou consequentemente a expulsão de Edu, autor do primeiro gol cruzeirense e estreante na noite, que recebeu o segundo cartão amarelo. Mas, no fim e apesar de vantagem numérica, o São Raimundo não conseguiu virar o duelo e o Cruzeiro, depois de passar sufoco, está garantido na próxima fase. Agora, a equipe de Adílson Batista volta a concentrar no Campeonato Mineiro e terá, neste domingo, o Patrocinense, às 19h, em Patrocínio, como próximo adversário.