Cruzeiro busca empate diante do América e torce por novo tropeço do Galo para seguir na ponta

Gols da partida saem somente na segunda etapa e Raposa mantém longos tabus sobre o Coelho; liderança celeste, contudo, depende de empate ou derrota do Atlético em Patos de Minas

Duelo reuniu muitos garotos em campo por parte das duas equipes. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

O primeiro clássico em Belo Horizonte da temporada 2020 do futebol brasileiro terminou empatado. Em duelo válido pela quinta rodada do Campeonato Mineiro, Cruzeiro e América ficaram no placar de 1 a 1, no Mineirão, e somaram um ponto cada na tabela de classificação. O resultado não foi positivo para as duas equipes, que mantiveram a invencibilidade na competição, mas impossibilita, principalmente no caso do Cruzeiro, em depender somente das próprias forças para permanecer na liderança do Estadual em virtude do resultado final do arquirrival, Atlético, que joga também na rodada contra a URT, em Patos de Minas – se vencer, o Galo volta à primeira posição do campeonato. O empate no Gigante da Pampulha deixa agora a Raposa com 10 pontos, enquanto o Coelho foi aos 8 somados com ambos ainda a uma partida a menos na competição em relação à maioria dos clubes. Na segunda rodada do Campeonato Mineiro e devido às fortes chuvas em BH e MG, Cruzeiro e América não jogaram contra Tombense e Villa Nova, respectivamente.

Nesse domingo, Cruzeiro e América fizeram o clássico de número 361 na história dos dois clubes e o de número 215 entre ambos pelo Campeonato Mineiro. Mas, pela primeira vez, Raposa e Coelho se enfrentaram em uma situação ainda não vista antes na trajetória do futebol mineiro com os dois times neste ano fazendo parte da Série B do Campeonato Brasileiro – isso porque, o Cruzeiro caiu no ano passado para a segunda divisão e o América não conseguiu subir para a Série A dependendo das suas próprias forças na última rodada do campeonato. Ainda em formação, o Cruzeiro, comandado pelo técnico Adílson Batista, repetiu a mesma escalação titular da equipe que venceu o Tupynambás, em Juiz de Fora. Iniciaram entre os onze iniciais do time celeste Fábio; Edílson, Léo, Cacá e João Lucas; Jadsom, Filipe Machado, Maurício e Éverton Felipe; Roberson e Jhonata Robert.

Por outro lado, o técnico recém-contratado pelo Coelho, Lisca, fez a sua estreia em um clássico de Minas Gerais. Em seu caso, ele não pôde contar com o seu camisa 10 e principal destaque do time, Matheusinho. Devido a uma pancada muscular na partida anterior ao duelo com a Raposa, diante do Santos-AP, pela primeira fase da Copa do Brasil, o meio-campista não conseguiu se recuperar a tempo e foi substituído por Ademir, o qual correspondeu. Assim, o Coelho teve seus titulares formados por Airton; Leandro Silva, Lucas Kal, Eduardo Bauermann e Sávio; Zé Ricardo, Juninho, Alê e Ademir; Felipe Augusto e Rodolfo. No gramado do Mineirão, Cruzeiro e América não jogaram debaixo de chuva e o estádio contou com 21.902 torcedores que apoiaram majoritariamente a Raposa, mandante do jogo.

Com a busca pela vitória e de olho na ponta da tabela, Cruzeiro e América chegaram para o dérbi em BH vindo de triunfos pelo Estadual – enquanto a Raposa bateu o Tupynambás, o Coelho venceu o Uberlândia, no Independência no sábado retrasado. O comportamento inicial das duas equipes, contudo, foi mais cauteloso por parte do Cruzeiro, que entrou na partida líder do Campeonato Mineiro. Com mais apetite pelo ataque e na tentativa de sair logo à frente no placar, o América dificultou nos primeiros 15 minutos a vida da Raposa e impôs marcação pressão, velocidade e tentativas de arremates contra a meta de Fábio. Porém, o América visivelmente sentia a falta de Matheusinho, sobretudo, nos momentos da necessidade pelo drible para furar o bloqueio defensivo cruzeirense.

A primeira etapa no Gigante da Pampulha foi fraca tecnicamente, morna e teve poucas ocasiões reais de gols. Pelo lado azul, faltou no primeiro tempo criatividade no meio de campo e melhor pontaria nas finalizações. Quem mais tentava era o atacante Éverton Felipe, o qual buscava aproveitar da sua velocidade para construir chances ao Cruzeiro pelo lado esquerdo do sistema ofensivo, mas faltava entrosamento com Roberson e Jhonata Robert. Após um empate em 0 a 0 na etapa inicial, era provável que tanto Raposa quanto Coelho arriscariam mais no segundo tempo da partida em busca de novos três pontos na tabela de classificação. Na volta do intervalo, Adílson Batista e Lisca fizeram alterações – no Cruzeiro, o treinador celeste substituiu o atacante Jhonata Robert pelo meia Marco Antônio, e o técnico americano tirou o lateral direito Leandro Silva para a entrada de Diego Ferreira.

Diferentemente do primeiro tempo, a etapa complementar do clássico começou mais agitada por parte dos dois times. Aos 13 minutos, Éverton Felipe mostrava-se ativo pelo lado esquerdo do ataque celeste e realizou bela jogada. Com visão de jogo, ele fez um ótimo lançamento para Maurício, pelo lado direito do sistema ofensivo, que dominou com extrema categoria e tocou para o seu companheiro de equipe, Filipe Machado. De longa distância, Machado arriscou um petardo com o pé direito e mandou a bola rente à trave direita do goleiro do América, Airton, assustando a torcida do Coelho. Um minuto depois de levar perigo contra o gol americano, o América tentou devolver na mesma moeda. Na oportunidade construída pelo Coelho, Ademir recebeu cruzamento pela esquerda e, livre na grande área, cabeceou à meia altura. Bem colocado debaixo das traves, Fábio apenas acompanhou a pelota pela linha de fundo.

Jogadores do América comemora gol de Ademir na partida. Foto: Mourão Panda / AFC

A partir desse lance, o América passou a incomodar de novo o Cruzeiro na partida e criava algumas chances de gols, mas não convertidas até aos 24 minutos da segunda etapa. Desta vez, Ademir não perdoou e abriu o marcador no Mineirão. Em começo de jogada por Sávio pelo flanco esquerdo, ele tocou a bola em profundidade para Felipe Augusto, o qual aproveitou espaço deixado pela defesa cruzeirense e avançou em velocidade. Com cruzamento rasteiro, o camisa 7 do Coelho serviu a bola na medida para Ademir na pequena área, que teve apenas o trabalho de concluir para o fundo do barbante e colocar o América próximo do triunfo e da quebra de dois tabus diante da Raposa. O mais antigo deles é a falta de uma vitória sobre o Cruzeiro, no Mineirão, desde 2002. Já o tabu recente e também buscado pelo América é a seca de triunfo perante o time cruzeirense, seja dentro ou fora de casa, que até aquele momento seria quebrado também desde 2016 sem ganhar do Cruzeiro reunindo todas as competições, ou seja, quatro anos.

Mas o desejo e a alegria americana duraram pouco no Mineirão. Aos 32 minutos, a estrela do jovem meio-campista da Raposa, Maurício, voltou a brilhar neste ano. Depois de saída ruim pelo sistema defensivo do América, com passe errado de Sávio ao lateral direito do Cruzeiro, Edílson, o camisa 2 da Raposa foi esperto e enxergou Maurício pela intermediária. Em jogada rápida, Maurício recebeu a bola passada por Edílson e finalizou firme, de pé canhoto, para deixar tudo igual na partida em Belo Horizonte e fazer o seu segundo tento no Campeonato Mineiro 2020, sendo o terceiro como profissional da Raposa. No gol cruzeirense, o goleiro do América, Airton, ainda tocou na bola antes de ela parar no fundo da rede. O tento de empate animou os torcedores do Cruzeiro nas arquibancadas do Gigante da Pampulha, porém, o time em campo não conseguiu aproveitar posteriormente do cenário positivo para virar o placar.

Maurício empata o duelo e celebra gol com o Raposão. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Adílson Batista e Lisca, treinadores de Raposa e Coelho, mexeram em seus times, respectivamente, mas nada mudou. Entraram no Cruzeiro os atacantes Judivan e Welinton, enquanto no América saíram do banco de reservas Rickson e Léo Passos. A equipe mandante do confronto, por sua vez, acabou ficando mais exposta defensivamente, no entanto, o time visitante da partida não conseguiu aproveitar tanto os espaços em algumas oportunidades deixados pela equipe celeste. Com o empate no escore, agora, Cruzeiro e América pensam em seus próximos compromissos na atual temporada. No caso da Raposa, o time cruzeirense foca na Copa do Brasil, uma vez que na próxima quinta-feira vai enfrentar o São Raimundo, às 21h30, em Boa Vista, pela primeira fase da competição em jogo único. Para classificar à próxima fase, o Cruzeiro necessita de um empate ou uma vitória. Já o América, por sua parte, vai entrar em campo nesta quarta-feira, diante do Villa Nova, às 19h15, em Nova Lima, em partida adiada pela segunda rodada do Campeonato Mineiro.