Em jogo alucinante, Atlético de Madrid vira sobre o Barça e vai encarar Real na final da Supercopa da Espanha

Messi e Griezmann marcam gols para o Barcelona, mas time catalão é surpreendido na reta final da partida e vai assistir do sofá a decisão entre rivais da capital

Atlético de Madrid se supera psicologicamente e fisicamente diante do abalado Barcelona. Foto: Reprodução/Internet

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

Em terras árabes, a Supercopa da Espanha é pela primeira vez na história disputada na Arábia Saudita em um novo formato da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF). Quatro times, inicialmente, começaram o torneio nesta semana: Barcelona, Valencia, Real Madrid e Atlético de Madrid. Os dois primeiros, campeões do Campeonato Espanhol e Copa do Rei, respectivamente, além dos rivais de Madrid e melhores colocados depois dos atuais campeões da Espanha, Real e Atlético completaram o torneio. Porém, dois dos quatro times já estão eliminados da competição e justamente as equipes que venceram as principais competições espanholas na temporada passada. Primeiro, nestas semifinais, o Real Madrid eliminou o Valencia, na última quarta-feira, pelo placar de 3 a 1, com gols feitos por Kroos, Isco e Modrid. Depois, nesta quinta-feira, foi a vez de o Atlético de Madrid vencer o Barça em duelo espetacular, por 3 a 2 e de virada, para assegurar o lugar na final que será disputada neste domingo, diante do Real, às 15h (de Brasília).

A partida entre Barcelona e Atlético de Madrid, no Estádio King Abdullah Sports City, em Jidá, teve emoção de sobra para os torcedores dos dois clubes e fãs de futebol em todo o mundo. Com Messi, Suárez e Griezmann como destaques do Barça por um lado, e João Félix, Morata e Oblak sendo inicialmente os principais jogadores do Atlético na partida, o embate teve uma primeira etapa soberana do Barcelona em termos de oportunidades de gols e pouca inspiração dos colchoneros. Com pelo menos sete grandes defesas, o goleiro Oblak foi um salvador do Atlético e ajudou à sua equipe ganhar confiança, sobretudo, com 18 segundos do segundo tempo. Na volta para a etapa complementar e com Koke em campo ao sair do banco de reservas, o Atlético de Madrid abriu o placar sobre o Barça de forma relâmpago.

Foi quando o próprio meia espanhol Koke, depois de começo de jogada feita por João Félix, saiu na cara do goleiro brasileiro Neto, do Barça e o qual substituiu Ter Stegen, lesionado, para finalizar rasteiro e estufar a rede culé: 1 a 0 Atlético e muita comemoração dos jogadores e do técnico Diego Simeone, no banco de reservas. Mas o Barcelona, mesmo atrás do marcador, era quem estava impondo mais na partida, principalmente com Messi, principal articulador e finalizador do Barça no confronto. Aos seis minutos, o camisa 10 argentino ganhou dividida contra a marcação adversária na grande área e, com o pé direito, chutou colocado para anotar um belo gol e empatar a partida.

O gol de empate do Barcelona deu ao time blaugrana mais moral no jogo e o segundo tento era questão de tempo, sobretudo, com o Atlético de Madrid bastante acuado na defesa e aguardando esporádicos contra-ataques. A rede do Atlético não demorou muito para ser balançada novamente e Messi, muito inspirado até então na partida, desempatou o duelo com outro belo gol. Desta vez, Leo dominou a bola pela direita da grande área e arrematou rasteiro, com extrema categoria de pé canhoto e sem chances de defesa para Oblak. No entanto, o VAR enxergou um toque do braço esquerdo de Messi na bola antes da finalização e a arbitragem anulou o tento do argentino. Mas, um minuto depois, Suárez iniciou jogada pelo meio-campo e acionou Jordi Alba pela esquerda na tentativa do desempate.

Veloz, o lateral esquerdo barcelonista avançou em velocidade e devolveu a pelota ao uruguaio na mesma moeda, na cabeça do atacante, na grande área. De primeira, Suárez concluiu firme e, no reflexo, Oblak espalmou para executar bela defesa. No rebote, contudo, Griezmann, livre de marcação, completou também de cabeça para o fundo do barbante e virou o jogo: 2 a 1 Barcelona e a ‘lei do ex’ foi novamente aplicada no futebol. Ex-jogador do Atlético de Madrid até a temporada passada, Griezmann marcou pela primeira vez contra o seu antigo clube, em um total de 10 partidas na sua carreira diante do Atlético de Madrid. Tudo se encaminhava para uma vitória e classificação do Barcelona, que levaria o time catalão naquele momento à final contra o arquirrival, Real Madrid. Em dezembro passado, os dois times mediram forças pelo Campeonato Espanhol e empataram sem gols, no Camp Nou.

O placar ao Barça aumentaria logo em seguida. Em cobrança de falta certeira de Messi pela intermediária do sistema ofensivo, ele colocou a bola nos pés de Arturo Vidal. De primeira, o chileno desviou na medida para Gerard Pique, o qual completou de canela na pequena áereia para fazer o terceiro e praticamente decretar a classificação do Barça à final. Quando a bola já estava no meio-campo para o recomeço da partida, o VAR voltou a entrar em ação no confronto e, por 1 cm, anulou o gol barcelonista alegando que o peitoral de Vidal estava à frente no lance em relação ao zagueiro do Atlético de Madrid. O segundo tento anulado do Barcelona caiu como um balde de água fria a todo time, que desapareceu em campo em diante.

Virada emocionante

Aos 36 minutos, o árbitro do jogo apareceu novamente, desta vez para assinalar um pênalti claro a favor do Atlético de Madrid cometido pelo arqueiro Neto. Com muita tranquilidade, Álvaro Morata cobrou rasante e com força, empatando o duelo e colocando mais ‘fogo’ na partida. Totalmente sucumbido pela determinação do Atlético de Madrid, o Barça apenas se defendia e mal conseguia atacar seu oponente. Aos 43 minutos e após bola à meia altura cruzada na área do Barcelona, Piqué tentou tirar o braço em movimento e a redonda tocou levemente na mão do zagueiro. Em ação mais uma vez, o VAR avaliou o lance e não marcou a penalidade máxima ao Atlético entendendo uma não intenção do defensor blaugrana em colocar a mão na bola.

Ángel Correa celebra efusivamente o seu gol que leva o Atlético a decisão da Supercopa. Foto: Reprodução/Internet

Porém, aos 46 minutos do segundo tempo e próximo de uma eventual prorrogação, o Atlético de Madrid fez valer o seu volume e melhor momento em um dos poucos durante todo o jogo para virar o escore e decretar a heroica classificação. Depois de receber grande lançamento no ataque, Ángel Correa partiu em velocidade, deixou Umtiti para trás e finalizou firme. Neto espalmou, no entanto, a bola parou mesmo assim dentro do gol e o Atlético eliminou o Barça para grande decepção de Messi e mais críticas ao trabalho do técnico da equipe catalã, Ernesto Valverde. Agora e com a saída do atual campeão da Supercopa da Espanha e histórico maior vencedor do torneio com 13 canecos, Atlético de Madrid e Real Madrid aproveitam disso e vão disputar pela segunda vez na história o título desta competição. Na primeira vez que os rivais madrilenhos se enfrentaram pela decisão da Supercopa da Espanha, em 2014, o Atlético levou a melhor. Já o Barça pensa somente pela frente na Champions League, no Campeonato Espanhol e na Copa do Rei.