Atlético sofre virada no Sul do país para o Inter, se despede do ano com derrota e vai precisar melhorar para 2020

Galo até começa bem em Porto Alegre, mas não consegue segurar forte ímpeto do adversário e encerra o Brasileirão 2019 entre os times que mais perderam na competição com 16 derrotas

Vinícius Goes tenta balançar o barbante pelo Galo na etapa final. Foto: Bruno Cantini/Atlético

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

O Atlético e sua torcida viveram um domingo de revés dentro de campo, porém, de extrema felicidade e exaltação fora das quatro linhas, seja nas ruas, na internet ou em qualquer lugar devido ao rebaixamento do arquirrival, Cruzeiro, para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Diante do Internacional, no Beira-Rio, em Porto Alegre, o Galo acabou perdendo de virada nesse domingo, pelo placar de 2 a 1, e termina a temporada 2019 com derrota, mas já classificado desde a penúltima rodada do Brasileirão à Copa Sul-Americana, em 2020. Depois de até lutar pelo G4 do Campeonato Brasileiro deste ano, o Atlético teve uma queda drástica na temporada e chegou a ficar próximo da zona de descenso, risco que eliminou somente na reta final do certame em um ano que não foi fácil ao torcedor atleticano, que amarga novamente uma temporada de instabilidade de sua equipe e sem um título conquistado. Com 48 pontos e na 13ª colocação do Brasileirão, o Galo também garantiu, além da vaga a um torneio de cunho sul-americano, uma premiação no valor de R$ 13,7 milhões, algo que deve ajudar ao clube um pouco na montagem do elenco para a próxima temporada. Do outro lado e classificado à fase prévia da Libertadores, o Internacional, por sua vez, termina o Campeonato Brasileiro em sétimo lugar com 57 pontos ganhos e garante um prêmio de R$ 23,1 milhões pela colocação na tabela.

No gramado, as duas equipes vinham de resultados distintos para o confronto na capital gaúcha. Enquanto o Atlético havia vencido o Botafogo, no Mineirão, o Inter chegou ao seu último jogo do ano e diante da sua torcida derrotado pelo São Paulo, no Morumbi. A outra diferença entre os dois times para o embate em Porto Alegre estava nas escalações. Com uma equipe totalmente reserva, o Atlético foi a campo com mudanças em quase todas as posições, exceto somente no ataque, onde o argentino Franco Di Santo foi mantido entre os onze iniciais sem a presença de Ricardo Oliveira no banco de reservas, o qual deve deixar o Galo em breve. Mas do gol até o último meio-campista ofensivo, o técnico Vagner Mancini deu mais minutos aos jogadores que vinham jogando em menos oportunidades nesta reta final de temporada. Debaixo das traves, Victor retornou depois de recuperar de uma tendinite no joelho esquerdo, que o deixou há quase cinco meses longe dos relvados. Também ganharam oportunidades Leonardo Silva e Maidana, na zaga; Lucas Hernández, na lateral esquerda; e, no meio de campo, reapareceram o volante Ramón Martínez, o meia Vinícius Goes e o atacante Maicon Bolt. Pelo lado do Internacional, o time comandado pelo técnico Zé Ricardo teve como principais nomes em campo entre os titulares para reabilitação no certame, D’Alessandro, Paolo Guerreiro, Edenílson e Víctor Cuesta, esse último determinante no desfecho final.

Na primeira etapa, os dois times começaram o duelo a todo vapor com muita marcação e briga pela posse de bola no centro de campo. Mas bastou uma brecha no sistema defensivo do Inter, que o Galo aproveitou de maneira eficaz para inaugurar o placar no Beira-Rio. Aos cinco minutos, Di Santo roubou a bola no ataque e acionou Rómulo Otero na grande área. Com tranquilidade, o venezuelano driblou a zaga Colorada e, com o pé esquerdo, finalizou rasante para vencer Marcelo Lomba e fazer o primeiro gol do Atlético, sendo o seu terceiro desde que voltou ao clube neste ano e 24º com a camisa atleticana no total. O tento alvinegro parecia que daria um domínio ao Atlético no jogo com o adversário precisando arriscar ao ataque, mas foi o Internacional que cresceu no confronto através de sua imposição e o Galo foi sucumbido abdicando também de agredir ofensivamente os donos da casa. Dessa maneira e com sucessivas ocasiões de gols criadas, o Inter, por meio de D’Alessandro, Víctor Cuesta, Neilton, Sarrafiore e Edenílson, obrigaram ao goleiro Victor, do Atlético, a executar grandes defesas para manter o placar em vantagem ao Galo e mostrar, ao mesmo tempo, que apesar de quase 37 anos de idade está em forma para lutar pela condição de titular com o jovem goleiro e destaque Cleiton.

No segundo tempo, o panorama da partida não mudou nem sequer um pouco e o mandante do duelo seguia mandando no jogo não deixando o Atlético respirar. Para tentar inicialmente empatar a partida, Zé Ricardo impôs as entradas de Wellington Silva, Rafael Sóbis e Gustavo, nas vagas de Neilton, Sarrafiore e Heitor. No Galo, Vagner Mancini também modificou o seu time para tentar assegurar pelo menos o placar mínimo e substituiu Otero, Ramón Martínez e Lucas Hernández, por Bruninho, David Terans e Hulk. Mudanças que pouco acrescentaram ao Atlético e, por outro lado, deram mais volume tático e ofensivo ao Inter. De tanto insistir e com estatísticas superiores ao Galo – com 20 tentativas contra 10 de finalizações, além de 65% a 35% na posse de bola – o Inter empatou a partida com o peruano Paolo Guerrero, o qual aproveitou sobra na grande área e superou Victor em forte arremate. Na sequência, após o empate do Internacional, o Atlético avançou rápido ao ataque e quase desempatou o duelo. Em lance esporádico, Vinícius Goes tentou completar cruzamento rasteiro livre pela grande área, mas não alcançou a bola. Diferentemente do zagueiro Víctor Cuesta que, no último minuto e lance do jogo, subiu mais alto que a defesa do Galo depois de cobrança de falta feita por D’Alessandro, cabeceou firme e virou o duelo para festa no estádio.