Especial clássico: Ex-jogador e ex-treinador de Cruzeiro e Galo, Procópio destrincha duelo e faz pedido por paz

Em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Diário, uma das lendas do futebol mineiro falou sobre o embate deste domingo e relembrou momentos pelos dois clubes

Procópio Cardozo teve passagens vitoriosas por Cruzeiro e Atlético.
Foto: Portal Futebol Diário

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

Nelinho, Éder Aleixo, Toninho Cerezo, Reinaldo, Luizinho, Palhinha, Paulo Isidoro, Cláudio Caçapa e Guilherme são uns dos memoráveis jogadores do futebol brasileiro e mineiro que atuaram em Cruzeiro e Atlético. Mas existe um personagem sui generis na história do maior confronto de futebol de Minas Gerais: Procópio Cardozo. Lenda do futebol mineiro e revelado pelo Cruzeiro, o ex-zagueiro Procópio vestiu a camisa da Raposa e também do Atlético. Mas, além disso, foi técnico dos dois clubes depois como treinador e conquistou inúmeros títulos pelos dois arquirrivais, sendo bastante respeitado pelas duas partes até hoje. Natural da cidade de Salinas-MG, atualmente aos 80 anos de idade e morando em Belo Horizonte, Procópio vive intensamente até os dias atuais o clássico entre Cruzeiro e Atlético, principalmente quando busca analisar previamente mais um duelo entre as duas agremiações na história do confronto. Em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Diário, Procópio Cardozo avaliou as duas equipes, relembrou momentos do passado, e quer paz e respeito na partida deste domingo, às 16h, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro.

Com Raposa e Galo atravessando fases ruins em 2019, figurando na segunda página da tabela do Brasileirão, Procópio Cardozo acredita que vai sobressair o time que souber administrar todas as circunstâncias e o emocional de momento na temporada. “Acompanho Atlético e Cruzeiro desde os anos de 1950, seja como espectador, ouvinte, jogador ou técnico. É sempre um clássico bem disputado e com fama internacional. Tudo depende do momento que está o clube, os jogadores e o moral das equipes. Porém, o que aflige os dois times neste momento vai além do campo devido aos problemas políticos e administrativos. É um clássico de incógnitas e vai ganhar a partida aquele que superar todas as adversidades. Sabemos quando o clube é bem dirigido, estruturado e organizado, as coisas ocorrem de outra maneira. Cruzeiro e Atlético tiveram problemas e vêm tendo, uma vez que trocaram também de treinadores, mas, mesmo assim, é um clássico que continua tendo a sua beleza e, independentemente do que vem acontecendo, nada vai denegrir a imagem deste grande duelo”, avalia Procópio.

Apesar dos problemas políticos e administrativos, Cruzeiro e Atlético nunca perdem a sua beleza

Como jogador do Cruzeiro, Procópio teve duas passagens e atuou em 217 oportunidades. Foi autor de seis gols e conquistou seis títulos, erguendo a Taça Brasil de 1966 e cinco Campeonatos Mineiros (1959, 1960, 1961, 1968 e 1973). Já vestindo a camisa do Atlético dentro das quatro linhas, Procópio Cardozo também teve duas passagens, atuou 60 vezes, marcou dois gols e conquistou o título do Campeonato Mineiro de 1962. Pela área técnica e em somente um passagem, Procópio triunfou primeiro pela Raposa, quando venceu o Campeonato Mineiro de 1977. No Galo e em seis passagens no total, a etapa de Procópio Cardozo como técnico teve seis canecos conquistados: Campeonato Mineiro (1979 e 1980), Taça Minas Gerais (1979), Torneio da Costa do Sol (1980), Torneio de Amsterdã (1984) e Copa Conmebol (1992). “É mais difícil disputar Cruzeiro e Atlético como treinador. Como jogador você dá algo mais e não 100%, mas 200% em campo para vencer o clássico. Como técnico, estamos dentro da campo, mas ao mesmo do lado de fora do campo (risos). Apenas orientamos e não temos a condição de decidir o jogo fazendo um gol ou tirando uma bola, por exemplo. Como jogador era muito melhor. A diferença, em contrapartida, é que eu nunca perdi um clássico jogando pelo Cruzeiro contra o Atlético, mas em todas as vezes que atuei busquei fazer o melhor para os dois clubes e fui vencedor em ambos” , relembra.

É mais difícil disputar Cruzeiro e Atlético como treinador que jogador

Produzido nas categorias de base do Cruzeiro, Procópio Cardozo diz se orgulhar em ver um clássico decisivo recheado de garotos que podem ser cruciais para o desfecho do embate, mas ressalva a importância dos mais experientes. “Participei de Cruzeiro e Atlético com 18 anos em final de campeonato. Ter jovens jogadores agora neste clássico é bom, é salutar e é sangue novo para o duelo. São meninos que querem vencer na vida e estão procurando uma chance. É preciso também que haja sempre uma boa orientação, um bom preparo psicológico, técnico e tático para que eles possam render e fazer com maestria aquilo que sabem. Nada é melhor para um jovem jogar atuar em um Atlético e Cruzeiro. Mas o futebol também não tem idade e os mais experientes também podem decidir esta partida. É um clássico que dá chance a todos e serve para poder subir na tabela ou no conceito”, comenta.

Procópio não arrisca um vencedor para este novo clássico, sétimo e último entre Cruzeiro e Atlético na temporada 2019. Na opinião do ex-jogador e ex-treinador dos dois clubes, o duelo entre Raposa e Galo não tem favorito mesmo quando existe uma equipe em melhor fase que a outra. “Muitas vezes o time que está em momento mais negativo, consegue se superar neste clássico mostrando determinação, técnica e vontade de vencer o tempo inteiro. Mas é sempre 50% a 50% para cada lado, ainda mais agora. Vai ser um jogo extremamente fundamental para as duas equipes visando o andamento do Campeonato Brasileiro. E, se alguém quem perder, precisará lidar depois com as consequências que trazem um clássico como este. Espero bom futebol e, sobretudo, paz e respeito”, define.