Euller faz cursos da UEFA na Europa para ser técnico e analisa momentos de Atlético, América e Palmeiras

Em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Diário, ‘filho do vento’ aborda sobre preparação na Espanha para ser treinador de futebol e traz suas opiniões em relação a Galo, Coelho e Porco

Euller esteve no Brasil em janeiro deste ano e reencontrou seu ex-técnico Felipão.
Foto: Reprodução/Palmeiras

Belo Horizonte, 03/11/2019 – Portal Futebol Diário

Marco Túlio Souto

É comum quando um jogador vitorioso no futebol encerra a sua carreira e não quer depois sair do ofício. Assim, após pendurarem às chuteiras, eles buscam maneiras de permanecerem no mundo da bola para não largarem de vez a paixão que vem desde os primeiros anos de vida. Euller, também conhecido como ‘filho do vento’, seguiu esse caminho e, assim como os demais atletas que depois precisaram se aposentar, segue os passos para torna-se um dia um treinador de futebol de sucesso. Natural da cidade de Felixlândia-MG e atualmente aos 48 anos de idade, Euller mora atualmente na Espanha e se prepara para ser em breve técnico de uma agremiação na Europa ou no Brasil. Em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Diário, o ‘filho do vento’ contou sobre seu momento atual e analisou também alguns de seus ex-clubes, casos de Atlético, Palmeiras e América. “Estou fazendo curso da UEFA de treinador e já conclui o nível 1. Agora, estou fazendo estágio como treinador no Safor Club de Fútbol Gandia, na região de Valencia, para o nível 2 da UEFA. E, assim que terminar o estágio, vou fazer a inscrição para o nível 3. Esse é o meu objetivo, poder possuir os três níveis do curso da UEFA porque quero ser treinador e estou buscando me preparar para que isto possa acontecer”, revela o ex-atacante.

Quando jogador de futebol, Euller iniciou a sua carreira dentro das quatro linhas em 1988. Revelado pelo América Mineiro, o velocista atacante foi campeão cinco anos depois pelo Coelho na disputa do Campeonato Mineiro de 1993. Em 1994, o ‘filho do vento’ foi contratado pelo São Paulo para tentar ajudar o tricolor paulista a conquistar a Libertadores daquele ano, porém, sua equipe bateu na trave ao perder para o Vélez Sarsfield, da Argentina, na final. No São Paulo, Euller atuou em 55 partidas, marcou 15 gols e, apesar do vice-campeonato do maior torneio da América, não passou batido e conquistou com o grupo a Copa Conmebol e a Recopa Sul-Americana de 1994. A passagem pelo tricolor durou somente um ano e Euller voltou para o seu Estado de origem onde vestiu, em 1995, as cores do Atlético.

“Tenho muitas saudades de quando era jogador de futebol. Tenho saudades do Atlético Mineiro, tenho saudades do América, tenho saudades do Palmeiras e todos os clubes onde atuei. Foram momentos únicos, marcantes e que deixam muitas lembranças. E a minha torcida é para que cada um deles possa fazer o seu melhor atualmente dentro das suas competições”, afirma o ex-jogador. Na primeira passagem pelo Galo, Euller jogou 127 partidas, fez 49 gols e venceu o Campeonato Mineiro de 1995, seu primeiro ano no clube alvinegro. O atacante ficou no Atlético até 1997, quando foi negociado depois com o Palmeiras. Em 1997, Euller atuou em 38 jogos pelo Verdão e balançou às redes nove vezes. Logo, foi atuar no futebol japonês, mas voltou voltou ao Palmeiras para ser campeão da Copa Mercosul de 1998, Copa Libertadores da América de 1999 e Torneio Rio-São Paulo de 2000, com uma segunda trajetória no Palmeiras com 77 partidas e 30 gols marcados.

Mesmo longe do Brasil, Euller segue acompanhando o futebol brasileiro e de olho em seus ex-clubes. Um deles é o Atlético, o qual não atravessa momento positivo no Campeonato Brasileiro após um returno de mais derrotas que vitórias. Antes na luta pelo G4, o Galo despencou na classificação do Brasileirão e Euller alerta. “No futebol tudo pode acontecer. O Atlético não está neste segundo turno fazendo pontos suficientes para poder conseguir objetivos maiores. Não acredito que vá cair para a segunda divisão, porém, é preciso tomar cuidado porque o time não pode dar mais bobeira, além de ter equipes atrás na tabela querendo sair da situação de rebaixamento e elas farão de tudo. O Atlético não pode baixar o nível de competitividade pensando que não vai ter problemas porque pode acontecer e é preciso ter muito cuidado”, diz.

Jogadores, comissão técnica e dirigentes, todos têm a sua parcela de culpa pelo momento do Atlético

Para Euller, a expectativa, como todos os anos, era de o Atlético lutar por todos os torneios que disputa. No entanto, em 2019, o Galo não conseguiu pelo segundo ano seguido terminar a temporada erguendo uma taça. A última vez que o Atlético conquistou título foi em 2017, em seu 44º caneco estadual adquirido. “Em termos de responsabilidade de resultado, isso cai como um todo no geral. É um grupo de jogadores, comissão técnica, dirigentes e todos têm a sua parcela de culpa pelo momento do Atlético. Claro que dentro de campo quem joga são os atletas e a maior parte, sem dúvida nenhuma, são dos atletas pelos resultados. Eles têm a maior responsabilidade”, afirma.

Em relação ao Palmeiras, atual campeão brasileiro, mas que segue devendo em 2019 por nenhum título conquistado, sobretudo pelo investimento milionário do clube mais uma vez nessa década, Euller faz a sua avaliação em relação a briga entre o time palestrino com o Flamengo na luta pelo título do Campeonato Brasileiro. “No futebol pode acontecer surpresas e no momento de reta final se a equipe vacilar, vem o time opositor e te alcança. Embora o Flamengo esteja muito equilibrado, com um grupo e uma equipe muito forte, o Palmeiras também é forte e acredito ainda que tudo pode acontecer no futebol, principalmente no Campeonato Brasileiro onde tudo muda com rapidez”, analisa.

O Flamengo está muito equilibrado e é forte. Mas o Palmeiras também tem sua força e tudo pode acontecer nesta reta final

Euller faz estágio em clube da Espanha. Foto: Arquivo Pessoal

A carreira vitoriosa de Euller não parou em 1999. Primeiro, o atacante foi convocado pela Seleção Brasileira em 2000. Logo, em mais um novo clube, o ‘filho do vento’ foi campeão do Campeonato Brasileiro de 2000 pelo Vasco da Gama em uma memorável dupla com Romário. No time da colina, Euller conquistou, além do Brasileirão, mais uma Copa Mercosul na carreira e uma Taça Rio. Pelo Vasco, foram 83 jogos e 28 tentos feitos. Depois de atuar no Vasco da Gama, Euller voltou ao futebol japonês para jogar no Kashima Antlers e retornou um ano depois novamente para o Brasil vestindo a camisa do São Caetano, em 2004. Pelo time do interior de São Paulo, Euller, como de praxe, ergueu mais uma taça em sua galeria, desta vez, o Campeonato Paulista.

Mas a trajetória recheada de conquistas de Euller teve uma marca negativa para o jogador, quando retornou ao Atlético na temporada 2005 e acabou sendo rebaixado com o Galo para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. A reta final de carreira de Euller terminou onde começou, no América. O ‘filho do vento’ regressou ao Coelho depois de deixar o Galo e ajudou a reerguer o América no futebol brasileiro, sendo campeão da segunda divisão do Campeonato Mineiro em 2008 e campeão da Série C do Campeonato Brasileiro em 2009. Em 2011, Euller decidiu finalizar sua etapa dentro dos gramados, mas também não esquece o time que o projetou no futebol. Atualmente na Série B do Brasileirão, o América está na luta para tentar retornar à Série A. “O América não começou bem a Série B, porém, foi se recuperando principalmente no segundo turno e está fazendo uma bela campanha no returno do campeonato. Porém, é preciso fazer mais pontos e buscar a todo momento as vitórias, principalmente atuando no Independência, porque a diferença na pontuação não está grande de um time paro o outro e o América é capaz. Estou na torcida pelo Atlético, pelo Palmeiras e para que o América esteja na elite do futebol brasileiro em 2020”, conclui.