Bruno Henrique e Gabigol brilham, Flamengo humilha Grêmio e vai disputar final da Libertadores com o River

Time rubro-negro retorna a uma decisão do maior torneio de clubes da América do Sul após 38 anos e com direito a massacre e classificação histórica sobre tricolor gaúcho no RJ

Bruno Henrique teve atuação de gala e abriu a goleada rubro-negra.
Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

A tão aguardada partida da temporada 2019 do futebol brasileiro, pela maior competição de clubes da América do Sul, já tinha uma alta expectativa de ser histórica devido às qualidades de Flamengo e Grêmio, considerados por muitos os dois melhores times atualmente do Brasil. Mas o líder do Campeonato Brasileiro com sobras, sobrou e deu um verdadeiro espetáculo diante da equipe de Renato Gaúcho ao aplicar uma goleada histórica, por 5 a 0, no Maracanã, pela partida de volta das semifinais da Libertadores. Com o placar humilhante, o Flamengo está de volta a uma final de Libertadores depois de 38 anos, quando conquistou pela primeira vez a América, em 1981. Já o Grêmio, eliminado de maneira trágica e inimaginável para os seus torcedores, vai precisar em diante se recuperar psicologicamente e focar apenas no Brasileirão até o fim deste ano.

Os dois times chegaram para o esperado confronto vindo de um empate na partida de ida, no dia 2 de outubro, em 1 a 1, na Arena Grêmio. Para classificar, o Flamengo, do técnico Jorge Jesus, podia até empatar sem gols no Rio de Janeiro ou conquistar uma vitória simples que garantiria lugar na decisão marcada para o dia 23 de novembro, em Santiago, no Chile. Por outro lado, o Grêmio, comandado por Renato Gaúcho, precisava também de um triunfo por qualquer resultado ou um empate por dois ou mais gols de diferença em busca de avançar mais uma vez para a final da Libertadores.

Tanto Jorge Jesus quanto Renato Gaúcho faziam mistérios em suas escalações horas antes do encontro no RJ. No entanto, tudo foi desvendado na chegada ao Maracanã. Pelo lado rubro-negro, Arrascaeta e Rafinha, que recuperaram de lesões de última hora, eram dúvidas e acabaram sendo escalados no meio de campo e na lateral direita do Flamengo, respectivamente. Já no tricolor gaúcho, Léo Gomes, Luan e Jean Pyerre, vetados, deram lugares a Paulo Miranda, Maicon e André, na lateral direita, no meio-campo e ataque, automaticamente. O Flamengo entrou em campo com Diego Alves; Rafinha, Pablo Marí, Rodrigo Caio e Filipe Luís; Wilian Arão, Gerson, Éverton Ribeiro, Arrascaeta e Bruno Henrique; Gabigol. Enquanto isso, o Grêmio teve em seus onze inciais Paulo Victor; Paulo Miranda, Geromel, Kannemann e Cortez; Michel, Matheus Henrique e Maicon; Alisson, Éverton Cebolinha e André.

Show da dupla

A festa no Maracanã, que recebeu mais de 65 mil torcedores, começou cedo e bonita nas arquibancadas. No gramado, Flamengo e Grêmio fizeram um primeiro tempo movimentado e equiparado até os primeiros 25 minutos. A primeira finalização perigosa saiu da cabeça de Gabigol, que recebeu cruzamento de Rafinha e cabeceou com estilo para a defesa de Paulo Victor. Logo em seguida, o Grêmio chegou com mais perigo e quase abriu o marcador. Em aparição de Éverton Cebolinha pela esquerda do ataque, o atacante do Grêmio e da Seleção Brasileira cruzou rasteiro e com força. De ‘carrinho’, Maicon tentou completar com a sola do pé, mas acabou sendo prensado por Filipe Luís e Diego Alves salvou o Flamengo.

Após o susto do Grêmio à torcida flamenguista no Maracanã, o Flamengo amassou posteriormente o time gaúcho com domínio em todos os aspectos e construiu uma classificação histórica. Coube ao goleiro Paulo Victor, em princípio, tirar com os olhos uma cabeçada fulminante de Bruno Henrique, que tirou tinta da trave do Grêmio. Mas, na sequência, aos 42 minutos e na reta final da primeira etapa, o próprio Bruno Henrique executou belo lance individual pelo sistema ofensivo e tocou para Gabigol. O artilheiro do Brasileirão e da Libertadores recebeu a bola em velocidade e chutou com o pé direito. Paulo Victor deu rebote na defesa e Bruno Henrique, na pequena área, aproveitou, concluiu para as redes e correu para o abraço: 1 a 0 Flamengo.

O time rubro negro-negro foi para o intervalo do jogo em vantagem e precisava na segunda etapa apenas administrar o resultado para chegar à sonhada final da Libertadores pela segunda vez em sua história. Quem achava, contudo, que o Flamengo aguardaria o Grêmio para tentar ‘matar’ o duelo na reta final, enganou-se. Com somente um minuto do segundo tempo, Gabigol aproveitou cobrança de escanteio na grande área e, com um arremate espetacular de pé canhoto, acertou o ângulo esquerdo defendido pelo goleiro oponente e marcou um golaço para ampliar o placar no Maraca: 2 a 0.

Gabigol e Bruno Henrique comemoram mais um gol do Fla. Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

O segundo gol deixou o Grêmio completamente perdido em campo e Renato Gaúcho estava visivelmente cabisbaixo na área técnica pensando como parar e buscar ainda surpreender o adversário. Apoiado o tempo inteiro pela sua torcida, o Flamengo aumentou o placar dez minutos depois com uma ‘blitz’ ofensiva. Desta vez, Bruno Henrique foi acionado rápido pela grande área, mas, ao tentar driblar Geromel, o árbitro da partida apontou pênalti na jogada alegando obstrução do zagueiro gremista com à ponta dos pés sobre um dos destaques do Flamengo na partida. Com frieza e categoria, Gabigol cobrou firme, deslocou Paulo Victor e fez o terceiro tento dos anfitriões.

Muito abatido, o Grêmio não conseguia nem sequer passar do meio de campo e era totalmente sucumbido pelo Flamengo, que tinha fome de gols e de futebol envolvente. O time da casa permanecia dominando seu adversário com trocas de passes em velocidade em busca de alegrar ainda mais os seus torcedores nas arquibancadas e assim aconteceu. A tática de Renato Gaúcho com três volantes foi desfeita após o terceiro gol sofrido, e o treinador gremista colocou em campo os atacantes Pepê e Diego Tardelli, que pouco conseguiram agregar diante de uma ligeira desvantagem.

Enquanto o Grêmio precisava de três gols para sair com a classificação, o Flamengo, sem piedade, ampliou com facilidade e em duas vezes com a bola parada. Primeiro, ainda aos 22 minutos da etapa complementar, o zagueiro espanhol Pablo Marí aproveitou cobrança de escanteio pela esquerda de Arrascaeta e desviou ciente, no fundo das redes, para ampliar o escore. E o que era difícil antes de a bola rolar, ficou fácil e ao mesmo tempo inacreditável. Quatro minutos depois do quarto gol, o Flamengo fez o quinto. Desta vez, Éverton Ribeiro cobrou falta pela ponta esquerda, na medida para o outro zagueiro do time, Rodrigo Caio, que antecipou-se sobre a marcação gremista e testou forte para balançar à rede e levar o Maracanã à loucura: 5 a 0 Flamengo e 6 a 1 no agregado.

Depois do quinto gol, o Flamengo colocou o Grêmio ainda mais na roda e em ritmo de ‘olé’, controlava as ações finais do jogo. Sem reação, a equipe gremista acompanhava o domínio mandante e se segurava para o desastre não ser ainda mais acachapante. Ainda teve tempo de Éverton Cebolinha, nos minutos finais, arriscar um belo chute e colocar o goleiro Diego Alves para trabalhar pela primeira vez no segundo tempo, o qual fez bela defesa e evitou o gol de honra do time de Renato Gaúcho. Além disso, a vitória e classificação formidável do Flamengo marcou o retorno de maneira especial do meia Diego aos gramados. Depois de se recuperar de uma grave lesão no tornozelo e o qual precisou ser submetido a uma cirurgia, Diego entrou no duelo aos 45 minutos da etapa final, na vaga do volante Gerson, e foi ovacionado pela torcida rubro-negra. Ele ainda quase anotou o sexto tento do Flamengo no último segundo, em finalização com efeito, porém, Paulo Victor evitou uma meia-dúzia.

Novo Brasil e Argentina

Agora, o Flamengo, que eliminou antes Emelec e Internacional na fase de mata-mata, além de Grêmio, vai encarar o River Plate, em final única e inédita no Estadio Nacional de Santiago, daqui a um mês. O time rubro-negro busca a segunda taça na história da Libertadores, enquanto o River, atual campeão e comandado pelo técnico Marcelo Gallardo, quer o bicampeonato seguido e o pentacampeonato do torneio. Esta vai ser a 15ª final da maior competição de clubes da América do Sul entre Brasil e Argentina.