River deixa o Boca para trás de novo e desta vez alcança à segunda final seguida de Libertadores

Boca Juniors consegue vencer, mas resultado não é suficiente e o River Plate chega a mais uma decisão do torneio em sua história; adversário da final sai entre Flamengo e Grêmio

Embate foi emocionante em Buenos Aires. Foto: Reprodução/Facebook River Plate

Belo Horizonte, 22/10/2020 – Portal Futebol Diário

Marco Túlio Souto

A técnica superou à raça. Em uma grande semifinal de Libertadores, o River Plate classificou-se sobre o seu maior rival e, menos de um ano após após vencê-lo em uma final inédita em Madrid, o elimina agora de uma disputa à decisão da máxima competição de clubes da América do Sul, marcada para o dia 23 de novembro, em Santiago. Na noite dessa terça-feira e com linda festa no La Bombonera, o Boca Juniors até venceu o River Plate, pelo placar de 1 a 0, mas não foi suficiente para reverter a vantagem construída pelo River na partida de ida, por 2 a 0, no dia 1º de outubro, no Monumental de Nuñez. Com a heroica classificação, o River Plate chega à sua sétima final de Libertadores na história e a terceira nos últimos cinco anos, sob o comando técnico de Marcelo Gallardo. Agora, os Millonarios vão em busca do pentacampeonato do torneio e aguardam o vencedor de Flamengo ou Grêmio, que duelam nesta quarta-feira, às 21h30, no Maracanã, para definir o segundo finalista.

Buenos Aires foi novamente a capital do futebol e o duelo entre Boca Juniors e River é considerado com méritos como um dos maiores clássicos e uma das maiores rivalidade do futebol mundial. A história deste confronto mostra a cada duelo uma paixão e um sentimento mais forte do torcedor pelo seu respectivo clube, que apoiaram do começo ao fim, seja nas redondezas ou dentro do estádio. Boca e River é sempre um embate à parte e seus novos capítulos agradecem. Nesta nova disputa, a partida teve 15 minutos de atraso na Bombonera por causa de uma ‘chuva’ de papéis picados feita pela torcida do Boca Juniors antes de a bola rolar. O clima era de decisão com apenas torcida única nas arquibancadas, assim como aconteceu no jogo de ida, na casa do River, e o apito inicial disse depois quem foi superior nos 180 minutos no gramado.

A torcida do Boca Juniors cantou e pulou sem parar. A energia dos anfitriões ajudou a levar uma imposição ao time em campo, o qual buscava abrir o placar de qualquer maneira diante de um River Plate calmo e muito organizado taticamente. As jogadas do Boca Juniors no primeiro tempo se resumiram em investidas pelo lado direito do ataque com o lateral Julio Buffarini, além de bolas alçadas na área do River Plate que tinha como alvos os atacantes Ramón Ábila e Tévez, que formaram a dupla de ataque da equipe mandante no duelo. Aos 21 minutos, o Boca Juniors balançou o barbante, contudo, o gol de Salvio foi invalidado pela arbitragem brasileira, que alegou mão na bola do jogador no lance para conseguir completar dentro das redes.

A insistência e a raça do Boca faziam o time ter mais tempo com a bola nos pés na primeira etapa e o River Plate, por sua vez, chegava esporadicamente ao ataque com a vantagem de dois gols de diferença ‘debaixo do braço’. No decorrer do tempo de jogo, os visitantes buscavam esfriar a partida para diminuir os ânimos e o ímpeto do arquirrival, que não desistia e lutava mesmo visivelmente inferior tecnicamente e taticamente. Na reta final do primeiro tempo, o Boca Juniors voltou a assustar à meta defendida pelo goleiro da Seleção Argentina, Armani, que defendeu a finalização e levou para o intervalo um empate em 0 a 0, suficiente para levar o River Plate à uma nova final.

Mais pressionado, o Boca voltou para o segundo tempo com as linhas de marcação adiantadas e sabia do risco de um contragolpe do oponente que passava a ter mais espaços no setor ofensivo. Na primeira chance da segunda etapa, Ábila, ex-Cruzeiro, não conseguiu converter arremate em gol e perdeu boa oportunidade finalizando rente à trave do River. Percebendo uma dificuldade de transformar as situações, apesar de mal construídas em gol, o técnico do Boca Juniors, Gustavo Alfaro fez duas substituições de uma vez e tirou Ábila e Almendra, para as entradas dos atacantes Hurtado e Zárate. Por outro lado e com uma atuação bastante inferior em relação ao jogo de ida, Marcelo Gallardo também modificou à sua equipe e colocou o atacante Lucas Pratto na vaga de Borré.

O ex-atleticano e ex-são-paulino melhorou um pouco as jogadas ofensivas do River Plate e segurava a bola com qualidade no ataque para também gastar o tempo e aproximar o seu time da classificação. Porém, o Boca Juniors seguia voraz e buscava pelo menos o primeiro gol em sucessivas finalizações de todos os componentes do sistema ofensivo, mas defendidas pelo seguro goleiro Armani. Em nova bola alçada na área do River, aos 34 minutos, Hurtado, que havia entrado na etapa complementar, aproveitou desvio na grande área e depois de tanto sofrimento, chutou a bola para o fundo do gol para dar esperança e levar os torcedores do Boca ao delírio nas arquibancadas.

Os minutos finais do clássico foram eletrizantes com o time da casa buscando na base do coração o segundo tento que levaria à disputa para os pênaltis, enquanto o River tentava conter às investidas do seu arquirrival não apenas defendendo, mas prendendo a pelota no campo de ataque e utilizando Lucas Pratto como principal arma para segurar à vantagem obtida no primeiro embate, no Monumental. Nas estatísticas finais, o Boca Juniors teve 21 tentativas a gol contra apenas 7 do River Plate, que acertou precisamente apenas uma vez o alvo do time da casa durante os 90 minutos.

A posse de bola também foi maior pelo Boca nos números gerais, o qual ficou com 54% contra 46% do tempo buscando desconstruir o feito do adversário, mas o resultado desejado não chegou, mesmo com muita pressão. O River Plate está na final de novo e, o curioso deste clássico entre ambos em 2019, é o fato de cada um ter vencido um jogo, além de um empate em setembro passado pelo Campeonato Argentino. O Boca Juniors, por sua vez, permanece na seca de Libertadores há mais de uma década e foca em diante na competição nacional, onde é líder.