Maracanã coleciona grandes finais com nova escolha; Na Espanha, Barça e Real é adiado por falta de segurança

Conmebol optou pelo Maraca para sediar a final de jogo único da Libertadores de 2020; já clássico pelo Campeonato Espanhol está cancelado

Maracanã vai receber mais uma decisão de Libertadores na contagem geral.
Foto: Bruno Haddad/Fluminense

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

A quinta-feira 17 de outubro de 2019 acabou sendo bastante movimentada no mundo da bola com duas notícias que prometem repercutir até os próximos dias nos bastidores e nas discussões afora dos fãs do futebol sul-americano e europeu. Primeiro, a Conmebol, entidade máxima do futebol da América do Sul, definiu que o Maracanã será palco da final da Libertadores em 2020, vencendo a disputa contra Mineirão, Morumbi, Arena Corinthians, Arena do Grêmio, Beira-Rio, Mario Kempes (Argentina) e Estádio Nacional de Lima (Peru). Depois, um pouco mais tarde, uma informação sacudiu a Espanha e o mundo com o adiamento do superclássico entre Barcelona e Real Madrid, agendado antes para o dia 26 de outubro, mas que precisou ser impedido de ocorrer por motivos de segurança na capital da Catalunha.

A escolha da Conmebol pelo Maracanã para sediar a decisão única da Libertadores no ano que vem tornou-se especial ao estádio justamente pelo motivo do aniversário de 70 anos do Maraca em 2020. A final da Libertadores do próximo ano vai ser a segunda no novo formato da competição, assim como acontece na Liga dos Campeões da Europa, em jogo único. Neste ano, a decisão da Libertadores está marcada para o Chile, no dia 23 de novembro. Já em 2020, a final do maior torneio de clubes da América do Sul foi agendada para 21 de novembro, na capital carioca.

Esta, todavia, não será a primeira vez que o Maracanã receberá uma final de Libertadores. Em sua história, o maior estádio do Brasil, que atualmente comporta 76 mil pessoas nas arquibancadas, está afeito em sediar as maiores decisões do futebol mundial, como aconteceu em duas Copas do Mundo (1950 e 2014), duas Copas Américas (1989 e 2019), três Libertadores (1963, 1981 e 2008), uma Olimpíadas (2016), um Mundial de Clubes (1962), duas Sul-Americanas (2017 e 2019), uma Copa Conmebol (1993), entre outras finais. A notícia positiva caiu como um presente também ao Rio de Janeiro visando fatores econômicos, uma vez que o Estado do RJ não atravessa há um longo período seus melhores dias financeiros.

Enquanto na cidade do Cristo Redentor o dia foi sorridente devido ao anúncio da final da Libertadores em 2020, na Espanha, o maior clássico do país e um dos maiores do mundo não vai ocorrer pelo menos por agora. Com muitos protestos e violência nas últimas semanas em Barcelona devido à crença e atos políticos, a Federação Espanhola precisou entrar em acordo com Barça e Real Madrid para o cancelamento da partida, que vai ser reagendada, ainda sem uma data certa, para o mês de dezembro. A ideia inicial da Federação Espanhola era transferir o duelo para o Santiago Bernabéu, estádio do Madrid. Porém, o Barcelona não aceitou a proposta em deixar o clássico para o Camp Nou, sua casa, para 2020 e o embate está adiado para frustração de grande parte do mundo da bola.

Os problemas na Catalunha pela luta dos independentistas que querem o Estado fora da Espanha vêm acontecendo há muitos anos, principalmente com manifestações políticas em jogos do Barcelona e durante atos tradicionais como o dia 11 de setembro, data a qual ocorre todos os anos a Diada, ou seja, o Dia Nacional da Catalunha, que reúne milhões de catalães nas ruas da capital BCN. A onda de protestos nos últimos quatro dias seguidos aconteceu até no Aeroporto El Prat, em Barcelona, e inúmeros voos, por exemplo, precisaram ser cancelados por tamanha confusão e confrontos entre policiais e manifestantes nos terminais. O maior motivo dessas últimas manifestações é devido aos condenamentos de prisão de nove líderes separatistas da Catalunha, onde as sentenças vão de 9 a 13 anos de cárcere.

Clássico no maior estádio da Europa deverá ser disputado no dia 7 ou 18 de dezembro.
Foto: Portal Futebol Diário

Desta forma, o Comitê de Competição da RFEF entendeu que para evitar maior turbulência e possíveis atos de violência com a extrema rivalidade entre Barcelona e Real Madrid, o adiamento do clássico seria a melhor decisão a se tomar diante de uma enxurrada de protestos, com até carros queimados nas ruas, e insegurança a população local, visitantes madrilenhos e turistas acerca de um dos maiores eventos do futebol do planeta. Desde agosto de 2017, a cidade de Barcelona não vive segurança como antes depois do atentado em La Rambla que deixou 13 mortos e mais de 10 pessoas feridas.