No reencontro após final, River volta a ganhar do Boca e está perto de mais uma decisão de Libertadores

River Plate sai na frente e ainda perde grande oportunidade de ‘matar’ a eliminatória com inúmeras chances de gols perdidas; Boca Juniors precisa de placar elástico para avançar diretamente

Borré abriu o marcador no Monumental de Nuñez em cobrança de pênalti.
Créditos: Conmebol

Belo Horizonte, 01/10/2020 – Portal Futebol Diário

Os deuses do futebol fizeram com que uma das maiores rivalidades do mundo voltassem a estar frente e frente pela maior competição de clubes da América do Sul. Depois de uma final histórica e única até então de Copa Libertadores da América, em 2018, River Plate e Boca Juniors se reencontraram na noite dessa terça-feira, em Buenos Aires, na Argentina, pelo superclássico de ida das semifinais da atual edição da Libertadores valendo vaga na final, que será disputada no mês de novembro, em jogo único, no Paraguai. Neste primeiro embate, o River voltou a superar seu arquirrival assim como na decisão do ano passado, diante de um Monumental de Nuñez completamente lotado e barulhento. O River Plate impôs superioridade na maior parte da partida e venceu com tranquilidade o Boca Juniors, pelo placar de 2 a 0, com um gol em cada tempo.

Resultado excelente para os Millonarios visando a partida de volta, em La Bombonera, agendada para o dia 22 de outubro. A vantagem oferece a condição ao River Plate de empatar ou até perder por um gol de diferença no segundo encontro para estar de novo presente na decisão do torneio. E nesse primeiro embate aconteceu tudo que muitos já previam no que diz respeito à raça, disposição tática, muitas chances de gols e, principalmente, emoção do início ao fim.

Com um ataque diferente, o técnico Marcelo Gallardo, desde 2014 no River Plate, deixou o atacante Lucas Pratto, ex-Alético, no banco de reservas e apostou em um sistema ofensivo composto por Matías Suárez e Borré, que incomodaram bastante o sistema defensivo do Boca. Já no Boca Juniors, a referência ofensiva foi novamente Ramón Ábila, que tinha a incumbência de ser o jogador mais perigoso do time na partida e foi. Além disso, River e Boca Juniors voltaram a disputar um duelo de Libertadores no Monumental de Nuñez, depois que no ano passado o segundo jogo da final no estádio foi adiado para o Santiago Bernabéu, em Madrid – após incidente ao ônibus do Boca Juniors, apedrejado por torcedores do River próximo às dependências do campo.

Domínio do River

Neste duelo, o River Plate conseguiu logo de cara um pênalti com a interferência do VAR nos primeiros minutos de partida, algo que mudou completamente o panorama inicial do jogo. A penalidade, bem assinalada pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, foi convertida em cobrança sutil de Borré, que arrematou com categoria de pé direito e venceu o goleiro Andrada, do Boca Juniors, para abrir o placar e ‘sacudir’ o Monumental.

Depois do primeiro gol do River Plate, o Boca Juniors encontrava um pouco de dificuldades para realizar troca de passes no meio de campo e sofria com a qualidade ofensiva do seu rival, que era envolvente e construía muitas ocasiões de gols, principalmente saindo dos pés de De La Cruz, Matías Suárez e o próprio Borré, autor do primeiro tento. Eles obrigaram o goleiro Andrada a trabalhar e salvar o Boca Juniors em pelo menos três boas e sucessivas finalizações.

Mas após segurar a forte pressão do River Plate, o Boca Juniors teve a sua melhor oportunidade em todo o clássico para empatar a partida. Foi quando na metade do primeiro tempo, o atacante Ramón Ábila, ex-Cruzeiro, recebeu ótimo lançamento em velocidade no sistema ofensivo, arrancou com a bola e driblou com facilidade à zaga adversária. Depois da jogada, Ábila deu passe açucarado para Capaldo, que apareceu sozinho na grande área e chutou mal, sem direção, desperdiçando enorme oportunidade para o Boca igualar a partida.

Ábila (D) foi o jogador mais ativo do Boca Juniors no clássico.
Créditos: Facebook/Boca Juniors

Lance que mesmo assim animou os visitantes. Posteriormente, Marc Allister arriscou um belo arremate de fora da área e obrigou o goleiro Armani, da Seleção da Argentina e arqueiro do River Plate, espalmar junto ao travessão para evitar o empate. Mas apesar das rápidas chances construídas pelo Boca Juniors, o River Plate não perdeu a confiança e voltava a agredir ofensivamente o seu arquirrival, principalmente no segundo tempo, quando o River conseguiu mais um gol e sucessivas oportunidades de gols perdidas que aumentariam à vantagem almejando o confronto da volta.

Fulminante na segunda etapa, o River Plate mostrou ligeira superioridade ao Boca e colocou à equipe do técnico Julio Alfaro na ‘roda’. Envolvente e dono de uma posse de bola de bola eficaz de 62% contra 38%, além de uma diferença de 497 passes a 306, o River quase ampliou após um chute primoroso e colocado de Matías Suárez, que tentou encobrir Andrada logo nos primeiros movimentos da etapa final. Atento, o arqueiro do Boca Juniors executou linda defesa, com a ponta dos dedos, para salvar a sua equipe.

Encurralando o Boca, o River Plate buscava de qualquer forma o segundo tento. No número de finalizações, a equipe da casa evidenciava tamanha superioridade com 11 tentativas a gol contra 9 do Boca Juniors. Na oportunidade a seguir, Andrada não conseguiu evitar que a pelota parasse dentro da rede. Aos 25 minutos, bela trama ofensiva entre Matías Suárez e Ignácio Fernández, esse último que recebeu cruzamento rasante de seu companheiro e finalizou forte, aumentando a vantagem no escore para loucura dos torcedores presentes no Monumental de Nuñez.

Frágil defensivamente, o Boca Juniors não conseguia se defender e era nocauteado pelo seu oponente, que criava mais lances ofensivos e, ao mesmo tempo, perdia muitas chances de gols para ‘matar’ de vez o confronto. Isso porque, Gonzalo Montial já havia acertado o travessão, Casco perdeu tentativa livre de cabeça e Scocco, que entrou no segundo tempo, também não aproveitou oportunidade ofensiva.

Tévez não resolveu

Para tentar diminuir o problema do Boca Juniors, Carlitos Tévez, ex-Corinthians, saiu do banco de reservas e foi acionado no lugar de Soldano, mas pouco mudou o parâmetro do ataque do Boca, que apostava todas as investidas em Ramón Ábila, bastante marcado pela defesa do River. A única tentativa do Boca Juniors e que obrigou o goleiro Armani voltar a trabalhar firme partiu dos pés de Zárate, que percebeu o arqueiro um pouco adiantado, tentou fazer o golaço de cobertura, porém, Armani espalmou para escanteio.

Para piorar a situação, o Boca Juniors ainda perdeu o meio-campista Capaldo. No fim do segundo tempo, o jogador cometeu falta dura no meio de campo, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso para mais felicidade dos torcedores do River nas arquibancadas. Agora, o Boca vai precisar devolver o placar dessa terça-feira na partida de volta ou conseguir uma diferença de três gols para retornar a uma final de Libertadores. Por outro lado, mais tranquilo no duelo, o River vai até a casa do seu maior rival precisando somente de um empate para avançar ou podendo perder também por uma diferença de um gol, que o passaporte à Assunção estará garantido para enfrentar Flamengo ou Grêmio, na decisão.

Próximos compromissos

Tanto River Plate quanto Boca Juniors voltam a pensar a partir desta quarta-feira no Campeonato Argentino, competição que o Boca, apesar de desvantagem neste momento diante do seu maior rival nas semifinais da Libertadores, é o líder isolado da competição. Os dois times voltam a campo neste domingo. O Boca visita a equipe do Defensa y Justicia, às 20h (de Brasília), enquanto o River Plate recebe o time do Patronato, um pouco mais cedo, às 17h45 (de Brasília), no Monumental de Nuñez.

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