Athletico-PR vence Inter de novo, conquista pela primeira vez a Copa do Brasil e garante vaga na Libertadores

Com gol no apagar das luzes, Athletico Paranaense desbanca o Internacional no Beira-Rio e ergue à taça da milionária competição brasileira

Léo Cittadini fez o primeiro gol do Athletico na partida. Foto: Reprodução/Internacional

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

A estratégia de Tiago Nunes prevaleceu para que o Athletico Paranaense conquistasse o seu primeiro caneco da Copa do Brasil na história. Após vencer o duelo de ida, na semana passada, por 1 a 0, na Arena da Baixada, o Athletico-PR voltou a superar o Internacional, desta vez no Beira-Rio, na noite dessa quarta-feira, em Porto Alegre, pelo placar de 2 a 1 e tornou-se o 12º clube brasileiro a vencer a competição. O Athletico precisava somente de um empate na capital gaúcha, mas com um belo gol nos segundos finais de jogo, confirmou a vitória e a comemoração do Furacão, que garantiu consequentemente dois grandes prêmios na temporada 2019. Já o Inter, que buscava a segunda taça do torneio, decepcionou novamente a sua torcida em mais um mata-mata no ano.

O duelo colocou frente a frente duas equipes com estilos modernos no futebol brasileiro. O Internacional, com uma defesa sólida e um trio qualificado no meio-campo e no ataque, impôs a sua proposta mesmo sem o capitão D’Alessandro, lesionado, diante de um time bastante organizado e comprometido em todos os setores e aspectos do campo. O Athletico Paranaense, por sua vez, também aplicou à sua filosofia, mas precisou em Porto Alegre mais se defender e contra-atacar com o intuito de segurar o resultado obtido na semana passada, em Curitiba. Nesta 30ª final da Copa do Brasil, a festa foi bonita, assim como o embate entre os dois escudos no gramado.

Final emocionante

A proposta das duas equipes era clara desde os primeiros passos do jogo. Com Wellington Silva na vaga de D’Alessandro, o Internacional foi a campo mais ofensivo e buscando ter o controle da posse de bola para não dar oportunidades ao meio de campo criativo do Athletico Paranaense. A primeira chance do duelo saiu dos pés de Nico López, do Internacional, que recebeu lançamento na esquerda da grande área e, de primeira, chutou forte. Bem colocado e fechando o ângulo, o goleiro Santos, do Athletico-PR, defendeu com o joelho direito e salvou os visitantes.

A iniciativa seguia com o Inter. Muitas trocas de passes na tentativa de abrir a defesa do Furacão para encontrar espaços. No entanto, com boas atuações de Robson Bambu e Léo Pereira, o Athletico Paranaense dava poucas brechas e, ao mesmo tempo, se armava para tentar ampliar o agregado na decisão no Rio Grande do Sul. De tanto defender e interceptar lances, o time do técnico Tiago Nunes, esse de 39 anos, encaixou um belo contragolpe.

Aos 24 minutos, Rony recebeu a bola pela esquerda e avançou inteligentemente em velocidade deixando a marcação anfitriã para trás. Ele tocou a bola para Marco Rúben que, com maestria, devolveu a pelota para o meio da grande área. De surpresa, Léo Cittadini apareceu como um foguete, dominou a bola e, com categoria, encobriu Marcelo Lomba para abrir o marcador no Beira-Rio e aumentar o placar no agregado. Festa para os mais de 2 mil atleticanos no estádio.

Primeiro tento é bastante comemorado por Cittadini. Foto: Reprodução/Athletico Paranaense

Contudo, o time do Internacional não abaixava a guarda e seguia persistindo pelo gol – uma vez que na Copa do Brasil não há critério de desempate com o gol qualificado. Sete minutos depois e com muita apreensão, o Inter conseguiu o empate. Na persistência, Nico López cobrou escanteio pela esquerda e depois de muito bate e rebate na grande área, a bola sobrou justamente para Nico López que, presente na pequena área, aproveitou sobra e estufou o barbante de pé direito para empatar e incendiar o duelo para o segundo tempo.

Rony decide

Odair Hellmann, técnico do Internacional, resolveu mexer em sua equipe no intervalo e colocou o atacante Rafael Sóbis no lugar do volante Patrick, o que deixaria o Inter mais ofensivo e exposto no sistema defensivo. Com Sóbis no jogo, o Internacional, naturalmente, avançou com tudo ao ataque e buscava de qualquer maneira o segundo tento para levar a decisão da taça para os pênaltis. Extremamente organizado defensivamente e também no meio-campo, o Athletico não dava moleza e muito menos espaços para a infiltração do Colorado.

Mesmo com mais posse de bola, que chegou a ter na maior parte da etapa complementar com 61% contra 39%, o Internacional não conseguia finalizar com eficiência na meta de Santos. Das 17 tentativas de finalização, o Inter acertou somente cinco, enquanto o Athletico, resguardado, havia arrematado apenas seis vezes com apenas duas no alvo. Uma dela saiu dos pés de Marcelo Cirino, que entrou no segundo tempo, aproveitou lance na grande área e concluiu com muito perigo, tirando tinta da trave do gol do Internacional.

A partir dos 40 minutos da etapa final, o embate ficou mais aberto e o Inter jogava na base do coração. Bem postado defensivamente, o Athletico-PR seguia contendo as ações do Internacional, que tentou com Guilherme Parede, mas um ‘paredão’ chamado Santos voltou a defender. Completamente aberto na zaga, o Internacional sofria para segurar os rápidos contragolpes do Athletico, que quase sacramentou a decisão aos 47 minutos, quando Rony escapou livre pela esquerda, porém, acabou errando o passe para Marcelo Cirino, sozinho na grande área.

De maneira inteligente e com muito apoio da sua torcida nas arquibancadas do Beira-Rio, o Athletico Paranaense soube controlar, segurar e sacramentar o triunfo na final. Desta vez, Marcelo Cirino foi quem fez a jogada pela esquerda e serviu Rony em bela condição. Ele só teve a incumbência de estar bem posicionado na grande área, acertar às redes com precisão e correr para o abraço. Gol que valeu o primeiro e inédito título do Athletico-PR na história da Copa do Brasil, além da premiação milionária de R$ 53 milhões nos cofres e a vaga garantida na próxima edição da Libertadores, em 2020.