Dadá: “Está na hora de o Atlético assustar mais os adversários e se impor como campeão”

Véspera de Botafogo e Galo pelo Brasileirão, Dadá Maravilha, figura emblemática e folclórica do futebol brasileiro, concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal Futebol Diário

Dadá conquistou três títulos no total pelo Galo. Foto: Portal Futebol Diário

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

Botafogo e Atlético, pelo Campeonato Brasileiro, é sempre uma partida a cada ano que os torcedores dos dois clubes recordam o passado, tanto por um lado quanto pelo outro. Para o atleticano, tal lembrança é mais especial ainda, uma vez que em 1971, o Galo conquistou o seu primeiro título nacional justamente sobre o time da estrela solitária. Um gol de cabeça, marcado por Dadá Maravilha, aos 16 minutos do segundo tempo, depois de cruzamento certeiro de Humberto Ramos, garantiu a vitória por 1 a 0 e a conquista do Atlético, no Maracanã.

Neste domingo, os dois times voltam a se enfrentar pelo Campeonato Brasileiro, às 16h, mas no estádio Nilton Santos, em duelo válido pela 18ª rodada. Em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Diário prévia do jogo, Dadá Maravilha analisa o Galo e faz uma comparação em relação ao único time até então do Atlético que venceu o Brasileiro. “Agora contra o Botafogo, queria que o Atlético imitasse aquele Atlético de 1971. Telê Santana, técnico histórico do futebol brasileiro e nosso comandante na ocasião, falava para gente que os 15 primeiros minutos e os 15 minutos finais o adversário não poderia tocar muito na bola. A gente sufocava as equipes e os adversários ficavam assustados porque fazíamos marcação pressão, antecipação e atualmente não vejo o Atlético aplicar tanto esses métodos. Está na hora de o Atlético se impor como campeão, porque time campeão é aquele que assusta mais os adversários. Contra o Botafogo, quero ver isso e acredito que o Atlético é o favorito para a partida”, comenta Dadá.

Para que o Atlético volte a vencer no Campeonato Brasileiro, já que chega para este confronto no Rio de Janeiro após três derrotas consecutivas, Dadá Maravilha vê como fundamental a importância de o camisa 9 fazer gols novamente. “Estou rezando para que o nosso centroavante Ricardo Oliveira volte a fazer gols com frequência, porque ele já mostrou ao longo da sua carreira como coloca a bola dentro das redes. O atacante quando chega na condição de goleador, como ele, não pode perder depois essa categoria. Por exemplo, se o torcedor falasse para mim que sou caneleiro ou perna de pau, aguentava essas críticas. Mas se o torcedor falasse duas vezes que perdi dois gols seguidos ou na mesma condição, não aceitava. Se perco um gol de pé esquerdo, no outro jogo tenho que fazer. Assim, principalmente, como um gol perdido de cabeça. A cabeça tem dois olhos e o pé é cego (risos)”, disse.

Se perco um gol de pé esquerdo, no outro jogo tenho que fazer. Assim, principalmente, como um gol perdido de cabeça. A cabeça tem dois olhos e o pé é cego

Campeão da Copa do Mundo de 1970 com a Seleção Brasileira, Dadá Maravilha, aos 73 anos, atualmente é comentarista esportivo. Pelo Atlético, o ex-atacante venceu, além do Campeonato Brasileiro de 1971, os Campeonatos Mineiros de 1970 e 1978, essa última conquista em sua terceira passagem pelo clube alvinegro. Em 1973, o carioca Dadá saiu do Atlético para atuar no Flamengo e, anos depois, foi novamente campeão Brasileiro, desta vez, pelo Internacional, em 1976, clube por onde é bastante reconhecido. Ainda vestindo a camisa do Galo, Dadá Maravilha foi artilheiro de torneios em seis oportunidades, reunindo Campeonatos Mineiro e Brasileiro.

Dadá Maravilha disputou 290 jogos pelo Atlético e marcou 211 gols.
Foto: Portal Futebol Diário

Garantido nas semifinais da Sul-Americana diante do Colón, com duelos agendados para o próximo dia 19, em Santa Fé, na Argentina, e para o dia 26 deste mês, no Mineirão, em BH, o Atlético figura ainda na parte de cima da tabela do Brasileirão faltando, neste momento, 21 jogos para terminar o campeonato. Na visão de Dadá, a cobrança tem que ser a mesma nos dois certames. “Acho que o Atlético pode priorizar e pensar ainda em ganhar as duas competições. Nada está decidido no Campeonato Brasileiro porque tudo muda muito rápido. Na derrota para o Corinthians, o Atlético mostrou um futebol positivo e esperançoso. Para mim foi até surpreendente o Atlético chegar naquele patamar de toque de bola e deslocamentos entre os jogadores. Faltou apenas acertar o que Dadá sabia fazer, a finalização. Mesmo assim, estou empolgado com o time”, afirma.

Na partida deste domingo, o Atlético vai estrear o seu mais novo goleiro. Aos 35 anos, Wilson, ex-Coritiba, foi contratado pelo Galo de maneira urgente nessa semana para suprir logo as ausências de Victor, que permanece recuperando de uma tendinite no joelho esquerdo e Cleiton, convocado para a Seleção Brasileira Olímpica. No entanto, apesar do reforço para o gol, Dadá Maravilha revela sua preferência para defender a meta atleticana em diante. “O Victor foi chamado de ‘São Victor’ merecidamente pela sua condição, por ser um goleiro extraordinário. Mas ele machucou e, antes da lesão, não estava em sua melhor fase. Cleiton entrou, está jogando bem e tem o direito de jogar. O momento agora é dele (Cleiton) como titular”, destaca Dadá Maravilha.

Cleiton entrou, está jogando bem e tem o direito de jogar. O momento agora é dele como titular

Diante de um bate-papo aprofundado e também descontraído, Dadá Maravilha ainda avaliou o técnico Rodrigo Santana, que está há quase três meses efetivado como técnico do Atlético. “Para mim, Rodrigo Santana está aprovado como treinador de futebol, mas assim como os demais técnicos do futebol brasileiro, ele tem seus defeitos. O Atlético sofre gols de inúmeras maneiras e, no futebol, esses erros sucessivos não podem acontecer, como dois gols de cabeça consequentemente ou desatenção do sistema defensivo. Muitas coisas precisam ser corrigidas ainda pelo Rodrigo Santana para o Atlético chegar aos seus objetivos”, conclui.