Guerrero arrebenta, Inter humilha Cruzeiro e vai enfrentar Athletico-PR na final da Copa do Brasil

Com dois gols de Paolo Guerrero e uma pintura de Edenílson, Internacional vence de novo a Raposa, faz 4 a 0 no agregado e confirma classificação à decisão

Nome do jogo, Guerrero tenta drible sobre a marcação celeste. Foto: Divulgação/Internacional

Do Portal Futebol Diário, em Belo Horizonte

Marco Túlio Souto

O atual bicampeão da Copa do Brasil não foi páreo para o Internacional nas semifinais. Precisando somente de um empate após ter vencido a partida de ida por 1 a 0, no Mineirão, o Inter não mostrou-se abatido após a eliminação na Libertadores e aplicou 3 a 0 no Cruzeiro, na noite dessa quarta-feira, no Beira-Rio, em Porto Alegre, diante de uma grande festa da torcida colorada. A vitória do Internacional foi também a terceira sobre a Raposa em 2019 nos três jogos disputados até então com o time celeste. Com a classificação de sobra, a equipe comandada pelo técnico Odair Hellmann vai encarar o Athletico-PR na decisão do torneio, que eliminou o Grêmio.

Mesmo em desvantagem no escore, o Cruzeiro acreditava em sua tradição na Copa do Brasil, torneio que buscava uma terceira disputa por final consecutiva no sonho pelo heptacampeonato. Como já era previsto, Rogério Ceni precisava mexer de forma obrigatória na lateral direita com a ausência de Orejuela. A expectativa era pelo retorno de Edílson, recuperado de uma lesão na panturrilha e que vinha treinando normalmente com o elenco. No entanto, surpresa: o volante Jadson, outro que também não atuava há muito tempo, foi o escolhido por Ceni e acabou sendo improvisado na lateral direita. Em relação ao último jogo pelo Campeonato Brasileiro, Rogério Ceni também mudou na lateral esquerda e escalou Dodô na vaga de Egídio.

Na zaga, o treinador celeste manteve Dedé e Fabrício Bruno, e deixou Léo, que não se encontra 100% pronto após um edema na coxa direita, no banco de reservas. No ataque, Rogério Ceni deixou Fred novamente entre os suplentes e escalou Thiago Neves, David e Pedro Rocha como trio ofensivo, além de Marquinhos Gabriel, Robinho e Henrique compondo o meio de campo. Por outro lado, o Internacional tinha apenas uma dúvida, mas técnica, entre os titulares. Nico López venceu à disputa sobre o ex-cruzeirense Rafael Sóbis, começou o jogo e brilhou em campo.

Cruzeiro até tentou

Uma chuva de papéis picados tomou conta de grande parte do gramado do Beira-Rio e chegava até a fazer jogadores das duas equipes escorregarem. A partida era especial para o histórico goleiro do Cruzeiro, Fábio, que completou 850 jogos com a camisa celeste e está de maneira isolada como o atleta que mais vezes atuou na história da Raposa. Jogo que Fábio precisou trabalhar bastante desde o início do embate com uma pressão fulminante do Internacional.

Apesar da vitória na partida de ida, o Inter se impôs bastante e atacava o Cruzeiro em velocidade, sobretudo explorando o lado direito da defesa azul, que tinha Jadson com muitas dificuldades em exercer a função de lateral direito improvisado. Mas a primeira chance real de jogo saiu dos pés de Pedro Rocha, pelo time mineiro. O atacante recebeu passe pela direita da grande área e chutou rasteiro. Marcelo Lomba fechou o ângulo e defendeu. Na sobra, David emendou de primeira, mas a bola foi para fora.

Em seguida, o Internacional, sublime, respondeu na mesma moeda e sucessivamente. Primeiro, Nico López arriscou um torpedo e assustou o sistema defensivo visitante. Depois, foi a vez do zagueiro argentino Víctor Cuesta se aventurar no ataque e executar um belo arremate de pé canhoto. Por um triz, a bola não bateu na trave e tirou tinta do poste esquerdo de Fábio, que estava estagnado no lance. O Inter seguia encurralando o Cruzeiro, que batia cabeça na defesa diante de um ataque rápido e envolvente do Internacional.

Guerrero celebra primeiro tento na partida contra o Cruzeiro. Foto: Divulgação/Internacional

Mesmo com pouco encaixe ofensivo, principalmente tendo os jogadores de ataque um pouco distantes do outro, o Cruzeiro voltou a assustar o Inter. Desta vez, Thiago Neves aproveitou lance pela entrada da área e finalizou colocado, de pé esquerdo. O chute raspou à trave direita do Internacional e o grito de gol ficou entalado na garganta dos cruzeirenses. O lance ajudou a Raposa animar um pouco na partida, mas o Internacional era ainda superior e chegava com mais facilidade à meta defendida por Fábio.

De tanto produzir, o Internacional chegou ao gol. O Colorado aproveitou vacilo da defesa cruzeirense e Nico López acionou o capitão D’Alessandro. Habilidoso, o meio-campista construiu a jogada pela direita do ataque e com o pé direito, realizou cruzamento perfeito para Guerreiro. Aos 40 minutos, então, o peruano, livre de marcação, aproveitou assistência do argentino e cabeceou sem chances para Fábio: 1 a 0 e vida mais dura para o Cruzeiro na eliminatória.

Guerreiro decisivo

Se estava difícil para o Cruzeiro com Dedé, ficou mais complicado ainda com a lesão do zagueiro, que nem conseguiu retornar ao segundo tempo queixando-se de dores no tornozelo. Assim, Rogério Ceni voltou a impor uma nova improvisação na equipe celeste. Ele colocou o volante Henrique na zaga ao lado de Fabrício Bruno e optou por Ariel Cabral, no meio-campo, junto com Robinho. A mudança não deu certo e o time cruzeirense ficou mais desorganizado na partida, com muitos erros de passes.

O personagem do embate parecia estar definido o quanto antes. A história não começou somente nessa quarta-feira, já que Guerreiro pediu até dispensa da Seleção do Peru da data FIFA justamente para estar em campo diante do Cruzeiro. O Internacional era amplamente superior no segundo tempo e finalizava bastante na meta de Fábio, que contava um pouco com a sorte. Neste instante, eram 21 tentativas a gol para o Inter contra 11 da Raposa.

Thiago Neves teve poucos espaços na partida. Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Rogério Ceni, por sua vez, resolveu apostar em Fred no ataque na vaga de Pedro Rocha, que voltou a ter atuação bastante apagada pelo Cruzeiro e pouco produziu ofensivamente, assim como David, outro que também não conseguiu aparecer tanto no duelo. Aproveitando muitos espaços deixados pelo Cruzeiro, o Internacional ‘matou’ logo o confronto e garantiu, depois de dez anos, a sua volta à final da Copa do Brasil.

Com direito a um golaço, desta vez, Paolo Guerrero recebeu passe do uruguaio Nico López. Dentro da grande área, o peruano emendou um belo chute de primeira e encobriu Fábio para praticamente sacramentar a classificação pela terceira vez na história do Inter à decisão da Copa do Brasil. Depois disso, o time celeste avançou ao ataque desesperadamente, mas seguia inoperante na etapa complementar em suas tentativas ofensivas e pouco brilho na armação das jogadas.

Mas acha que parou por aí? Ainda teve tempo de mais um gol do Internacional. Com a defesa cruzeirense completamente desarrumada, Edenílson recebeu lançamento perfeito de Cuesta em velocidade e, sozinho, tocou com categoria por cima de Fábio para anotar aquele gol que valeu o ingresso ao torcedor anfitrião para fechar a conta. A final entre Internacional e Athletico Paranaense, pela Copa do Brasil, que vai ocorrer nos dias 11 e 18 deste mês, será inédita – uma vez que os dois clubes já decidiram título de Libertadores, em 2005.

Nesta quinta-feira, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os mandos de campos da serão final definidos por meio de um sorteio. Só por estarem na decisão, os dois clubes garantem também, em princípio, R$ 21 milhões em seus cofres. O Inter busca o seu segundo titulo da competição, já que foi campeão em 1992, sobre o Fluminense, enquanto o Athletico Paranaense sonha com a primeira conquista. O vencedor da final da Copa do Brasil de 2019 vai faturar R$ 52 milhões e uma vaga direta para a Libertadores de 2020.